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LÁGRIMAS EM SILÊNCIO - Capítulo 46 (antepenúltimo capítulo)

 



Novela de Adélison Silva 

Personagens deste capítulo

JANA
LAURA
GIOVANA
GENIVALDO
PAULO
RAIMUNDA
MOISÉS
REBECA
BEATRIZ
JORGE
ROSENO
FÁTIMA
KALEB
MARIA
PANDORA
DARLAN
KIRA


Participação Especial:
LOCUTOR da TV, HOMEM que aborda Maria


CENA 01/ INT/ CASA DA RAVENA/ QUARTO DA PANDORA/NOITE

Pandora está sentada na cama lendo um livro, Laura entra no quarto.

 

LAURA

- Oi!

 

PANDORA

- Oi minha mãe! Tá tudo bem?

 

LAURA

- Sim. Hoje fui lá na delegacia com Kaleb. Contei tudo Pandora, contei que era Ravena quem estava no volante daquele carro, não eu. E também contei a policia, que ela saiu daqui dizendo que iria pra Carinhanha.

 

PANDORA

- Cê fez o certo, fez o que tinha que ser feito.

 

LAURA

- Mas tô me sentindo mal com isso, filha. Como se eu tivesse traindo sua mãe. A polícia agora vai atrás dela.

 

PANDORA

- O certo é certo. Não podíamos deixar essa situação se arrastar. Mãe Ravena precisa enfrentar as consequências do que fez. Se não fizesse isso o peso ficaria só nas suas costas. Não fica se sentindo culpada, foi ela quem agiu por impulso. Agora é esperar o julgamento, né? E rezar pra que cê seja absorvida.

 

LAURA

- O julgamento vai ser lá no Acre. Como o crime aconteceu lá, vamos ter que ser julgadas lá. Cê vai comigo, né?

 

PANDORA

- Não tenho muito opção, né minha mãe? Sou de menor, não vou poder ficar aqui sozinha.

 

LAURA

- Kaleb ficou de olhar direitinho a data e a gente preparar tudo pra ir.

 

 

CENA 02/ INT/ CASA DA JANA/ QUARTO DA MARIA/ NOITE

Maria está deitada em sua cama, olhando para o celular com uma expressão triste. Jana entra no quarto, preocupada, e se aproxima da filha.

 

JANA

- Que foi meu amor? O que tá acontecendo? Cê parece tão triste ultimamente. Voltou a se trancar dentro do quarto, perdeu o ânimo de sair... O que aconteceu entre cê e Pandora? Gostava tanto de sair com ela.

 

Maria se ajeita na cama e vira para o outro lado, ignorando a mãe.

 

JANA

(insistindo)

- Ignorar seus sentimentos não vai ajudar, Maria. Cê precisa falar sobre o que tá lhe machucando. Conte pra mainha, meu amor. Tem a ver com aquele rapaz, o Darlan? Ele lhe fez alguma coisa minha filha?

(com raiva)

- Se fez me fale, que vou falar pro seu pai dá uma corça nele.

 

Maria finalmente se pronuncia, sua voz carregada de amargura.

 

MARIA

- A senhora nunca se importou antes, minha mãe. Agora não precisa mais se preocupar.

 

JANA

(com tristeza)

- Oxente Maria, não diga isso meu amor! Sempre me importei, cê é a coisa mais preciosa que tenho na vida. É que algumas vezes é difícil lidar contigo, cê se fecha, se tranca, não deixa brecha pra gente se aproximar.

 

MARIA

(chorando)

- Me deixa quieta. Só quero morrer.

 

JANA

(olhos marejados)

- Não diga isso nem por brincadeira, viu? Oh meu amor, conte pra mainha o que tá acontecendo.

 

MARIA

(gritando)

- Por favor, sai daqui, me deixa sozinha!

 

JANA
- Vá bem, vou lhe deixar sozinha.

 

Jana olha para cima e vê o diário de Maria na prateleira. Ela se aproxima, dá um beijo na testa de Maria e sai do quarto.

 

 

CENA 03/EXT/ RUA/ PRÓXIMO AO COLÉGIO/ DIA

Paulo está dentro de seu carro, ele avista Darlan andando na calçada um pouco a sua frente. Ele se aproxima parando o carro bem ao lado.

 

PAULO

(firme)

- Ei, moleque! Preciso falar com cê, entre no carro.

 

DARLAN

- Não vou entrar aí!

 

PAULO

(com autoridade)

- Entre no carro agora, garoto. Preciso ter um dedinho de prosa sério contigo. Não mordo não, é um papo de homem pra homem.

 

Darlan hesita, olhando em volta. Darlan se sente intimidado acaba entrando no carro. Ao longe, Pandora observa a cena preocupada.

 


 

CENA 04/ INT/ CASA DOS SIRQUEIRAS/ QUARTO DO CASAL/ DIA

Raimunda está de joelhos, orando silenciosamente.

 

RAIMUNDA

(em oração)

- Senhor, ilumina-nos com Tua sabedoria e bondade. Guia-nos no caminho da verdade...

 

Neste momento, Rebeca entra no quarto empolgada e interrompe a oração da mãe.

 

REBECA

(eufórica)

- Mainha, mainha, senhora não vai acreditar! Painho tá na televisão! Ele ficou famoso, mulher! Painho agora é artista!

 

RAIMUNDA

(confusa)

- É quê, menina?

 

REBECA

- Venha minha mãe, ver. Painho tá na TV.

 

Raimunda se levanta, seguindo Rebeca para a sala.

 

CORTA PARA:

CENA 05/ INT/ CASA DOS SIRQUEIRAS/ SALA DE ESTAR/ DIA

Uma reportagem está passando na televisão. Raimunda olha atônita para a tela da TV.

 

LOCUTOR

(na TV)

- Líderes de uma igreja evangélica, da cidade de Salvador foram preso por envolvimento em um esquema corrupto que desviou dinheiro da igreja e dos cofres públicos. E não é só isso...

 

A reportagem na TV revela vídeos do pastor Moisés em um cruzeiro de luxo com jovens acompanhantes. A reportagem denuncia o envolvimento dos dois no esquema corrupto.

 

LOCUTOR

(na TV)

- As investigações apontam que o pastor Moisés Sirqueira e seu amante o pastor Osvaldo da Cunha desviavam fundos da igreja para bancar seu estilo de vida extravagante, juntamente com garotos de programas. Ambos foram presos juntamente com outros envolvidos.

 

Raimunda fica abismada com a revelação, lágrimas enchem seus olhos enquanto ela luta para processar a notícia.

 

RAIMUNDA

(incrédula)

- Meu Deus... Esse não é meu varão, não pode ser. Moisés jamais faria um negócio desses! Isso não pode tá acontecendo.

 

REBECA

(animada)

- Viu aí minha mãe? Painho agora é famoso! Agora não entendi, ele comprou aquele barco enorme foi? E irmão Osvaldo, menina, quem diria? Todo tímido, mas tava lá dançando só de cuequinha com os meninos.

 

Raimunda começa a se sentir mal e se apoia no sofá.

 

REBECA

- A senhora tá bem? Tadinha ficou emocionada!

 

CENA 06/ INT/ RUA/ TAXI DO PAULO/ DIA

O táxi de Paulo está parado na rua. Darlan sentado no banco de passageiro. Paulo no lado do motorista olha para Darlan com desdém.

 

PAULO

- Escute bem aqui, vou ser curto e direto.  Quero cê bem longe de minha filha e de minha família.

 

DARLAN

- E se eu não fizer isso?

 

PAULO

- Cê é bem abusado, né moleque?

 

Darlan, firme encara Paulo nos olhos.

 

DARLAN

- Eu amo Maria, e não vou desistir dela tão facilmente. E não pense que não sei o que cê anda fazendo. Vou lhe denunciar, Viu? Cê vai acabar preso.

 

PAULO

- Mas do que tu tá falando, criatura? Olhe, sua imaginação parece ser bem fértil, viu garoto? Cê deveria ter cuidado com o que fala. Sou apenas um pai, preocupado com o bem-estar de minha filha, nada mais.

 

DARLAN

- Já sei de toda verdade, mesmo que ainda não tenha como provar. Mas tenha certeza que vou conseguir. Não vou deixar Maria continuar sofrendo em suas mãos.

 

Paulo endurece seu olhar, ficando cada vez mais ameaçador.

 

PAULO

(firme)

- Olha aqui desgraça, se tu se meter com minha filha, juro que lhe mato! Vai te embora e fique longe de minha família.

 

 

Darlan sai do carro e vai em direção ao colégio. Paulo fica observando com raiva, preocupado com o que Darlan pudesse fazer.

 

 

CENA 07/ INT/ CAMPA/ SALA DA GIOVANA/ TARDE

Giovana está sentada enquanto Jana está de pé, olhando para fora da janela, visivelmente preocupada.

 

JANA

(preocupada)

- Tô tão preocupada com Maria, viu Gih?

 

GIOVANA

- Ela já não tava se animando depois que conheceu Pandora? As duas sempre saiam juntas.

 

JANA
- Tava, mas agora voltou a se isolar de novo. Pior que não consigo conversar com ela, se fecha não se abre nunca pra mim.

 

GIOVANA

- Vou ter uma conversa com ela depois. Comigo até que ela se abre mais.

 

JANA

- Fico agradecida... E cê e Kira como tão?

 

GIOVANA

- A gente se beijou.

 

JANA

(surpresa)

- Sério? Que coisa boa, hein?

 

GIOVANA

- Aquele beijo bem demorado, bem envolvente. Não consigo tirar isso de minha cabeça. Primeira vez que beijo uma mulher, né?

 

JANA

- E parou aí? Ficaram só no beijo?

 

GIOVANA

- Oxente Jana, ainda tô de luto, né? Não ficaria bem eu já me envolver com outra pessoa.

 

JANA

- Olhe minha linda, o que não fica bem é cê perder tempo pra ser feliz. A vida é curta demais para não seguir seu coração. Raul era um ser humano maravilhoso, e a memória dele sempre será respeitada. Mas ele não tá mais aqui, cê tá... E dá pra ver que cê gosta muito dessa Kira, então se jogue. Raul gostaria que cê fosse feliz, minha irmã.

 

GIOVANA

- Cê tá certa, viu mana? Acho que já tá na hora de eu e Kira viver tudo isso que tamo sentido.

 

JANA

- Oxe, pois já passou foi da hora, menina!

 

 

CENA 08/ EXT/ FEIRA DE SANTANA/ OFICINA DO JORGE/ TARDE

Beatriz para o carro e se aproxima da oficina. Fátima está sentada em uma cadeira próxima, observando seu marido trabalhar. Ao ver Beatriz, Fátima se levanta irritada e vai em direção a Beatriz.

 

FÁTIMA

- Mas tô dizendo, viu? É muito atrevimento dessa piranha. O que cê pensa que tá fazendo aqui, hein? Acha mesmo que vou deixar meu marido solto pro cê pegar?

 

BEATRIZ

- Não vim atrás de Jorge, Fátima. Vim atrás do cê. Acho no mínimo lhe devo um pedido de desculpas.

 

FÁTIMA

- Pois não tenho nada que falar com cê.

 

BEATRIZ

- Eu insisto. Quero contar como tudo começou. Claro que nada do que eu disser vai justificar, ou tirar minha culpa. Mas acho que cê merece entender a história.

 

FÁTIMA

- Tudo bem, vamos conversar, então. Mas que fique claro, viu?  Não vou permitir que piranha nenhuma chegue perto de meu marido.

CENA 09/ INT/ LOJA DA RAVENA/ TARDE

Kaleb se aproxima de Laura com o celular na mão.

 

KALEB

- Cê já viu?

 

LAURA

- Já vi o quê?

 

KALEB

- Seu pai e o meu foram presos.

 

LAURA

(abismada)

- Painho preso! Como assim, menino?

 

KALEB

(mostrando a reportagem)

- Veja aí!

 

LAURA

(assistindo o vídeo)

- Pra que sempre apontava o dedo nos outros hein, se achando o santo. Sempre foi um hipócrita, me culpou como eu se eu fosse a pior pessoa da face da terra, e agora olha aí. Cafetão de garotos de programas, ainda com o desvio do dizimo da igreja e de dinheiro público.

 

KALEB

(triste)

- E painho também envolvido em tudo isso. Os dois são amantes, Laura. Como nunca desconfiei disso?

 

LAURA

- Eles usavam a boa imagem que tinham como líder de igreja para camuflar. Como todo o respeito, sei que seu pai tá no meio viu? Mas quero que meu pai passe um bom tempo na cadeia para aprender. Pobre de mainha em meio a tudo isso.

 

 

CENA 10/ EXT/ FEIRA DE SANTANA/ OFICINA DO JORGE/ TARDE

Jorge tá mexendo em um carro, Roseno vai se aproximando.

 

ROSENO

- Sabe quem acabo de ver ali, agora pouco?

 

JORGE

- Quem?

 

ROSENO

- Dra. Beatriz.

 

JORGE

- A Beatriz tá aqui?

 

ROSENO

- Oxe, tá lá fora de papo com Fátima.

 

JORGE

- Tô entendendo mais nada, viu Roseno? Mas cê quer saber de uma coisa? Gostava demais de ter as duas. Fátima como minha esposa, minha companheira de vida. E Beatriz minha amante, sacia minha carne, meus prazeres mais ousados.

 

ROSENO

- Mas a casa caiu, né pae?

 

JORGE

- Quem sabe eu não levanto ela de novo? 

 

CENA 11/ INT/ APT DA KIRA/ TARDE

Kira está parada perto da porta, surpresa ao ver Giovana.

 

KIRA

(sorrindo)

- Oi, Gih! Nem acreditei quando cê disse que ia subir.

 

GIOVANA

- Não fale nada, Kira. Só me beija! Já falamos demais, agora só quero viver tudo isso.

 

 

As duas se beijam ardentemente. Kira passa as mãos pelo o rosto de Giovana como se não acreditasse que ela estivesse ali. Depois Kira pega na mão de Giovana e a puxa delicadamente, as duas vão andando até chegar no quarto próximo a cama. Giovana senta na cama, Kira agacha e começa a tirar seu sapato. Logo depois ela passa a mão pelo o rosto de Giovana, fecha os olhos e lhe dá um beijo delicado na boca. As duas vão deitando na cama, Giovana vira de bruços, de costas para Kira, que delicadamente vai tirando o vestido de Giovana. Kira se deita por cima de Giovana beijando suas costas. Giovana fecha os olhos de prazer. Giovana agora nua vira-se de barriga pra cima, e as duas começam a se beijar. Kira vai descendo, beijando entre os seios de Giovana, depois lambe delicadamente seu mamilo. Ela olha para Giovana, que alisa seus cabelos transmitindo todo o tesão que estava sentindo naquele momento. Giovana se levanta com Kira sentada em seu colo, ela arranca a blusa de Kira e as duas trocam carícias. Giovana puxa o short de Kira, e depois sua calcinha. Agora Kira em pé e Giovana sentada na cama faz um sexo oral nela. As duas entrelaçam as pernas e esfregam suas genitálias gemendo de prazer.

 

CENA 12/ INT/ CASA DOS FERNANDES/ ESCRITÓRIO/ TARDE

Genivaldo está concentrado em seu trabalho. Maria vai entrando silenciosa.

 

GENIVALDO

– Oh minha linda! Cê entrou aí tão quietinha que nem vi.

 

MARIA

– Oi voinho!

 

GENIVALDO

– Que carinha triste é essa, hein? Diga aí, o que aconteceu?

 

MARIA

– Bobagem minha, ligue pra isso não... Voinho, me fala um pouco sobre minha vó.

 

GENIVALDO

– Sobre sua vó? Oh filha, Eliete tá muito bem não. Continua não falando coisa por coisa...

 

MARIA

(interrompendo)

– Eliete não é minha vó! Quero saber sobre minha vó de verdade, a mãe de mainha que faleceu. É mesmo verdade que ela era mulher da vida?

 

GENIVALDO

(confuso)

– Não tô entendendo porque isso agora.

 

MARIA

– Não sei, só queria saber. Eliete ficou jogando em minha cara, que sou filha de um estuprador e neta de uma prostituta.

 

GENIVALDO

– Eliete, já não andava bem das ideias, né? Não dá pra ficar levando a sério as coisas que ela lhe falava.

 

MARIA

– Não quero saber de Eliete, quero saber de minha vó. O senhor a amava? Como era mesmo o nome dela?

 

Genivaldo hesita por um instante, mas depois resolve se abrir com a neta.

 

GENIVALDO

– Rosália. Mas todo mundo a conhecia como Rosa. E sim, eu a amava. Foi a única mulher que de fato amei na vida. Rosa teve uma história de vida muito sofrida... Ela foi abusada pelo o padrasto.

 

MARIA

(surpresa)

- Abusada?

 

GENIVALDO

– Sim, ela perdeu o pai e foi criada pela a mãe e o padrasto. Ele abusou dela várias vezes. Chegou uma hora que ela não suportou mais, fugiu de casa e foi morar em uma casa de mulher da vida.

(com brilho no olhar)

- Ela era uma garota encantadora, sedutora e envolvente, mas de olhar muito triste. Depois que a conheci quase todas as noites eu iria lá ter com ela. Ou pelo menos até que meu salário durasse.

 

Os dois riem

 

GENIVALDO

(se dando conta)

– Oxente, nem deveria tá falando com cê esses tipos de coisa.

 

MARIA

– Voinho, não sou mais criança. Por favor, continue.

 

GENIVALDO

– Olhe Maria, trabalhei dia e noite, encarando sol e chuva. Até consegui comprar uma casinha e trouxe ela pra morar comigo. Depois disso é claro ela abandonou aquela vida. Não tínhamos luxo nenhum, mas a nossa vida era perfeita. Depois veio a sua mãe, aí a nossa felicidade tava completa, não sabe? Nossa família tava perfeita. Até ela descobrir que tinha câncer. Daí pra frente vivemos um tormento, até o dia que ela se foi.

 

MARIA

(curiosa)

– E quando foi que Eliete entrou nessa história?

 

GENIVALDO

(sorrindo)

– A senhora tá muito curiosa, viu?

 

MARIA

– Tô mesmo. Não consigo entender como o senhor um homem tão doce e gentil se casou com uma mulher tão amarga e egocêntrica como Eliete.

 

GENIVALDO

- Eliete nem sempre foi assim. Acredite, ela já foi uma pessoa muito amável. E me ajudou muito a me reerguer. Depois que perdi Rosa, me afundei no alcoolismo, e foi graça a Eliete que eu pude me recuperar.

 

MARIA

– Difícil de acreditar!

 

GENIVALDO

– O que sempre estragou Eliete foi o fanatismo.

 

 

CENA 13/ EXT/ RUA/ TARDE

Darlan e Pandora estão lado a lado, conversando.

 

DARLAN

- Ele me ameaçou, falou pra eu ficar longe de Maria, senão ele me matava. Se ainda restava alguma dúvida, agora tenho mais nenhuma.

 

PANDORA

- Mas ele chegou a confessar pro cê alguma coisa?

 

DARLAN

- Não, disse que minha imaginação era fértil. Que ele era só um pai preocupado com a filha.

 

PANDORA

- As mesmas coisas que ele falava pra mim. Mas agora não acredito mais nele não, eu vi quando ele lhe abordou. Esse cara pode ser muito perigoso, Darlan.

 

DARLAN

- Mas um motivo de que a gente tem que afastar Maria dele. Quando falei com a mãe dela, ficou possessa, não acreditou em mim.

 

PANDORA

- E com certeza contou pra ele, por isso ele lhe abordou.

 

DARLAN

- Precisamos dá um jeito de pegar esse diário, Pandora. Só assim vamos poder ter alguma prova contra ele.

 

 

CENA 14/ INT/ APT DA KIRA/ QUARTO DA KIRA/ TARDE

Giovana e Kira estão deitadas na cama, trocando carícias amorosas enquanto conversam sobre o futuro. Kira segura o dedo de Giovana, olhando profundamente em seus olhos.

 

KIRA

- Sabe, Gih, o que mais sonho é colocar um anel nesse dedo, onde cê usa as duas alianças. Quero um futuro contigo, quero oficializar nosso amor.

 

Giovana sorri, acariciando o rosto de Kira com ternura.

 

GIOVANA

- Tá cedo pra isso, né minha linda? Deixe o tempo cuidar disso, deixe acontecer naturalmente.

 

KIRA

- Esperarei o tempo que for preciso. Só quero tá com cê, não importa como... Humm! E além disso, viu? Gostaria de ter filhos.

 

GIOVANA

(sorrindo)

- Filhos? Gente, mas ela já tá sonhando lá na frente!

 

KIRA

- Porque a graça? Cê não pensa em ser mãe?

 

GIOVANA

- Penso, penso sim. E que eu e Raul acabamos deixando esse projeto pra mais na frente.

 

KIRA

- Mas agora o filho não seria com Raul, seria comigo. Só ainda não sei se a criança cresceria em minha barriga ou na sua. Poderíamos fazer como uma amiga minha fez, o material colhido foi o dela, mas quem gerou foi a companheira dela.

 

GIOVANA

- Tá aí uma coisa que não consigo entender, viu Kira? Por quê?

 

KIRA

- Como assim por quê?

 

GIOVANA

- Pra quê gerar uma criança se podemos adotar? Um casal homoafetivo nunca terá um filho biológico dos dois. Vai ser biologicamente filho de um e filho adotivo de outro. Então porque não adotar uma em meio a tantos que já existem por aí precisando de um lar? Temos que aceitar a nossa condição e também a nossa limitação de não poder gerar um filho biológico de ambos. Pais adotivos são tão pais como pais biológicos, o que vale é o amor e o cuidado dado para a criança.

 

KIRA

- Nunca havia pensado dessa forma. Realmente não faz muito sentido. De toda forma vai acabar sendo filho adotivo de um dos lados.

 

 

 

CENA 15/ INT/ DELEGACIA/ CELA/ NOITE

Moisés está sentado em um banco de pedra, olhando para o chão, claramente abatido. Raimunda entra na cela, sua expressão carregada de raiva contida e decepção.

 

RAIMUNDA

(com raiva)

- Pensei muito antes de vim aqui. Orei e pedi a Deus discernimento... Mas eu tinha que vim aqui lhe ver. Olhar pra essa sua cara de cínico. Sempre fui culpada de tudo de errado que acontecia. Da casa quando estava mal arrumada, da roupa que não passava do jeito que cê gosta, a comida que não tava bem temperada. Eu era a única culpada da criação das meninas... Cê nunca assumiu a responsabilidade. Por sua culpa fiquei anos longe de minha filha.

 

MOISÉS

- O diabo me usou. Enfraqueci na fé, me deixei levar pelas as tentações do mundo.

 

RAIMUNDA

- Não culpe o diabo pelo o seu mau-caratismo. O que cê fez foi crime, e muito bem premeditado. Durante anos, cê usou o nome da igreja pra esconder suas falcatruas.

 

MOISÉS

- Varoa, me perdoa! Eu errei, fiz muita coisa que não devia. Mas cê precisa dá um jeito de me tirar daqui. Conversa com Kaleb, ele é advogado pode nos ajudar.

 

RAIMUNDA
 (com ódio)

- Olhe que durante todos esses anos que passamos juntos, acho que essa foi a primeira vez que cê me pede perdão de alguma coisa, viu? É, porque cê nunca se achou culpado de nada, eu é que sempre fui culpada de tudo.

 

MOISÉS

- Mas agora eu reconheço minha linda, sei que errei muito...

 

RAIMUNDA

(se alterando)

- Cala a boca! Cala essa tua boca desgraça!

 

MOISÉS

- Que isso? Nunca lhe vi falando assim.

 

RAIMUNDA
 (enfurecida)

- Se depender de mim cê apodrece aqui, porque nem advogado pro cê vou arranjar. Pede pra um dos seus amantes, algum daqueles machos lá que tava no cruzeiro contigo! Quem sabe um deles não lhe ajuda?

 

MOISÉS

- Cê não pode fazer isso comigo, Raimunda, sou seu marido.

 

RAIMUNDA
- Agora cê lembra que é meu marido? Te vira, Moisés, não quero nada mais contigo.

 

Raimunda vai saindo e Moisés desesperado fica chamando.

 

MOISÉS

- Raimunda, não pode me deixar aqui! Cê precisa me ajudar! Coversa com Kaleb...

 

 

CENA 16/ INT/ CASA DA JANA/ QUARTO DA MARIA/ NOITE

Maria está diante do espelho, vestindo roupas sensuais e aplicando uma maquiagem forte. Seu olhar no espelho revela uma mistura de determinação e insegurança. Ela está claramente se esforçando para transmitir uma imagem diferente de si mesma. Suas mãos estão um pouco trêmulas enquanto ela passa o batom vermelho nos lábios e coloca um par de brincos chamativos. Ela está tentando encontrar confiança em meio à vulnerabilidade, preparando-se para algo que parece importante e, ao mesmo tempo, assustador. A cena termina com Maria olhando para si mesma no espelho.

 

CORTA PARA:

CENA 17/ EXT/ AVENIDA/ NOITE

Maria vestida de forma provocante, caminha ao longo da avenida movimentada. Seu rosto está triste e cansado. Enquanto ela caminha, carros passam rapidamente, um diminui a velocidade e para ao seu lado.

 

HOMEM

(de dentro de um carro, gritando)

- Toda delicinha, hein minha princesa? Venha cá, entra aí, vamos dá uma volta!

 

Maria olha para o homem por um momento, sua expressão mostrando uma mistura de tristeza e resignação. 







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