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Primeira Impressão com o Senhor X - Crítica "O Dom - Vidas do Árido" - Tem2Pro08

 

Saudações, mancebos! Sejam todos bem-vindos a mais um Primeira Impressão! Tudo bem com vocês?

Espero que sim. Portanto, preparem o lanche mais salgado do que deveriam comer e mais gorduroso do que suas veias suportam e venham com o Sr. X.

E a crítica de hoje é sobre O Dom – Vidas do Árido, escrita por Vitor Zucolotti e exibida na WebTV. Confiram a sinopse:

A série VIDAS DO ÁRIDO conta, a princípio, três histórias diferentes (em três temporadas). O que chama atenção nessas histórias é que elas se conectam, mesmo sendo contadas e ambientadas em épocas distintas. Além disso, o árido do sertão nordestino, a proximidade das ‘cidades’ e regiões onde nossas polêmicas tramas são retratadas, e a crueza e crueldade em não economizar na realidade e nas palavras. Todas essas características são VIDAS DO ÁRIDO.

Personalidade. Essa simples palavra de 13 letras é o principal adjetivo que o leitor pode usar para classificar o protagonista dessa temporada, o Domênico, tendo lido apenas a estreia em questão. E isso se deve a um aspecto bastante básico no processo de se contar histórias, mas igualmente esquecido quando falamos de webproduções escritas (e em muitos exemplares de audiovisual maisntream também, claro): o desenvolvimento de personagens. É o que diferencia uma figura que faz apenas as vezes de instrumento da narrativa de uma figura complexa, com camadas emocionais... ou seja, uma figura humana – não que apenas vocês sejam abençoados com o dom das emoções, mas a emoção humana é, de certa forma, ímpar.

Não só isso. Domênico não é apenas uma figura com camadas, mas também um protagonista que foge da regra do bom mocismo, aproximando-se mais de um anti-herói, o que não deixa de ser mais uma camada para o personagem. Nessa mesma ideia, ele se afasta até mesmo do clichê do santo e sábio curador, pois nosso protagonista é um homem comum, por vezes exausto com o que faz, que usa de ofensas quando acha necessário, controverso em alguns de seus métodos e, principalmente, que ainda não está em paz com seus poderes; nada mais distante da figura de Jesus Cristo, a não ser pelos dons de cura e pela reverência de parte do povo. E nada como um personagem controverso e de personalidade “cinza” para aguçar o leitor e arrebatá-lo para o universo de uma obra.

Apesar disso, de Domênico temos por enquanto apenas uma (boa) apresentação, mas as diretrizes principais da obra já foram inseridas com o auxílio das tramas paralelas, como o núcleo do padre Emerenciano – principal opositor do curador, do qual nutre uma clara inveja – e o núcleo do médico Daniel – escolhido para ir de sua cidade Salvador para a cidade principal da história, Riqueza, como parte do plano do padre Emerenciano de diminuir a importância de Domênico e suas curas através da implantação da Medicina na cidade interiorana. E é muito bom constatar que a qualidade do texto em delinear os personagens continua presente conforme os mesmos vão sendo inseridos. A soma de todos esses aspectos pode ser representada por um tabuleiro cujas peças já foram devidamente dispostas; agora o “jogo” vai começar.

Mas me digam: que peças são essas? São as pretas ou as brancas? Ou ambas? Bem, o leitor não poderia responder isso com firmeza, pois vários desses personagens não são devidamente apresentados pelo texto, de forma que a série cai no mesmo velho, irritante e já entediante erro de jogar nomes no papel como se os mesmos dissessem algo sobre o que o leitor deveria estar imaginando, quiçá enxergando. Canso de dizer, mas para sempre direi: frases como “Fulano abre a porta”, “Beltrano desce as escadas” ou “Siclano chega ali”, nos casos em que é a primeira vez que Fulano, Beltrano e Siclano aparecem na obra, são deficientes, problemáticas e falhas, já que o leitor não faz ideia se Fulano é um ser de meia-idade ou um jovem adulto, se Beltrano é uma negra e careca ou uma branca dos cabelos sedosos, se Siclano está vestido com a roupa que jamais tira do corpo ou se está com mais uma de suas vestes habituais. E se dedico esse tanto de texto para esse aspecto mais essa vez, é porque esse defeito é comum no Mundo Virtual, mesmo na webs de muita qualidade, assim como água é comum na Terra e metano nos vales do meu planeta.

Uma rápida pesquisa e o leitor verá que uma das características da série são os relatos detalhados – e de fato essa é uma característica (e ponto alto) também dessa estreia – e a possibilidade de ocorrência de elementos pesados, sádicos e pornográficos. Bem, nesse capítulo há duas cenas de sexo, sendo que só uma delas realmente diz algo, ajuda a história a ser contada e leva a trama para frente, enquanto a outra, assim como a maioria das cenas de sexo das séries e dos filmes brasileiros e internacionais, serve apenas para atrair o público desse tipo de conteúdo e se mostrar um aspecto supostamente necessário para justificar a classificação indicativa de 18 anos. E vejam bem, não estamos discutindo se deve haver ou não esse tipo específico de cena nas obras, é sobre cenas úteis à narrativa; o que não é útil para uma história ser contada deve ser modificado ou sumariamente cortado.

Com personagens sólidos e tridimensionais, ações e ambientações inspiradas e bem escritas e diálogos afiados e naturais, essa estreia acerta em quase tudo do que tenta fazer e se apresenta como um ótimo drama, daqueles que vale a pena o tempo investido, haja vista que esse, uma vez que se inicia a leitura, passa mais rápido do que se pode calcular previamente; um dom raro às webs.


Série: O Dom - Vidas do Árido

Autor: Vitor Zucolotti com inspiração na obra de Clóvis Levy e José Safiotti Filho

Episódios: 12 (1 temporada)

Emissora: WebTV

Clique aqui para ler o 1° episódio

Saiba mais sobre a série


E então, queridos, o que acharam da crítica? Por acaso já leram a websérie em questão? Digam tudo o que acharam nos comentários.

Mas agora vamos ver o comentário da autora da obra criticada no programa anterior. Vejamos:


        Por nada, Lyvia. Foi um prazer ler e analisar sua estreia, assim como é um prazer ler uma web de uma autora. Que tenhamos cada vez mais mulheres escritoras no Mundo Virtual!

Bem, e se alguém perdeu o programa da semana passada, basta clicar aqui para lê-lo. E todas as sugestões para novas obras serem criticadas aqui no programa podem ser feitas nos comentários abaixo.

E por hoje é isso, queridos. Fiquem bem, fiquem na paz, e até o próximo domingo!

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