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VILAREJO - Capítulo 38 (Últimas Semanas)

 



Capítulo 38 (Últimas Semanas)

Cena 01 - Fazenda Santa Clara [Interna/Noite]

Música da cena: Amor Gitano - Beyoncé ft. Alejandro Fernández

[Ana Catarina continuava parada na entrada do quarto de Antônio sem ser vista, estarrecida com a cena que presenciava.]


ANA CATARINA: [Volta a si e ao se dar conta do que estava fazendo, resolveu sair dali].


[Ana Catarina volta por onde entrou e deixa o quarto, retornando ao seu.]


ANA CATARINA: - Eu não posso me render aos meus pensamentos. Eles vão me fazer titubear dos meus objetivos e isso é o que não posso fazer. Não posso! [Pensa em voz alta, após fechar a porta e se encostar nela].


Cena 02 - Acampamento Cigano [Interna/Noite]

[Quando avistou o pai em meio ao acampamento cigano, Vladimir logo correu para se apressar ao contar o que tinha acabado de conseguir.]


VLADIMIR: Bato, que bom que encontrei vocês! [Disse ao encontrar Vicente, acompanhado de Leonora e o homem mascarado].

Tradução: Bato = Pai.


VICENTE: - Meu filho, o que aconteceu? Por que vosmecê está assim, tão ansioso?


VLADIMIR: - Consegui conversar com o chaveiro, ele disse que finalmente a ferramenta necessária para abrir o tipo de máscara de ferro está para chegar. Com isso, logo poderemos ver o rosto do nosso amigo e ele será livre.


VICENTE: [Sorri] - Mas isso é uma excelente notícia. Precisamos comemorar! Vosmecê ouviu, isso? Logo mais estará livre dessa máscara monstruosa e de quem fez isso contigo. [Responde olhando para o homem mascarado].


Cena 03 - Fazenda Santa Clara [Interna/Manhã]

Música da cena: Flor de Lis - Melim

[Com a transição de cenas, a noite vai embora e logo o dia chega com o sol iluminando toda a cidade de São José dos Vilarejos. Os habitantes do vilarejo começam a percorrer a cidade, enquanto surge a fachada da fazenda Santa Clara. Ana Catarina preparava-se para sair, quando se deparou com uma visita não anunciada em sua sala de estar.]


ANA CATARINA: [Surpreende-se] - Mas o que vosmecê está fazendo acá, sem ser anunciada? Não é bem-vinda em minha casa! [Disparou ao avistar Carlota sentada em uma de suas poltronas].


CARLOTA: - Que forma mais agressiva de falar com alguém da família, minha nora. De longe se vê que o título de nobreza não lhe caiu bem, vosmecê continua sendo a mesma intempestiva de sempre. Isso não é de bom tom, sabia? [Ironiza].


ANA CATARINA: - Eu não estou com bom humor para as suas gracinhas, Carlota. Saia de minha casa agora mesmo, antes que eu chame um dos meus empregados e mande te expulsarem da minha fazenda como a boa bisca que é.


CARLOTA: - Atreva-se e o Antônio vai ficar sabendo de toda a verdade. [Ameaça].


ANTÔNIO: - Ouvi meu nome ou foi impressão? [Questiona ao adentrar na sala de estar]. - O que faz acá, Carlota? Que eu me lembre, não havíamos combinado nada.


ANA CATARINA: - Não foi mesmo, ela já estava de saída. Não quero essa mulher em minha casa!


CARLOTA: - Ana Catarina, não fale assim comigo. Eu sou a mãe do seu marido. Apenas vim visitá-lo, como a boa mãe que sou.


ANTÔNIO: - Vosmecê não é minha mãe, Carlota. [Respira fundo]. - Já ouviu o que Ana Catarina disse, retire-se de minha casa e suma de uma vez por todas. Não quero voltar a vê-la, entendeu? Nunca mais! [Grita].


CARLOTA: - Está bem. Já que insistem, eu vou, mas eu volto. Ah e antes que eu me esqueça, Ana Catarina. Temos muitos assuntos pendentes, nós vamos conversar em breve. [Debocha ao sair].


ANA CATARINA: - Obrigada por me apoiar, Antônio. [Responde olhando para o marido].


ANTÔNIO: - Eu não fiz isso por vosmecê, Ana Catarina. Não pense que tudo gira à sua volta! [Responde secamente, deixando Ana Catarina sozinha].


ANA CATARINA: [Observa Antônio sair, ficando estarrecida].


Cena 04 - Igreja São José dos Vilarejos [Interna/Manhã]

Música da cena: Lua Cheia - Dienis [Participação Especial: Letícia Spiller)

[Na sacristia da igreja, Padre Júlio conversava com o mais novo casal da igreja prestes a subir ao altar.]


PADRE JÚLIO: - Casar? [Pergunta surpreso, olhando para os noivos].


PEDRO: - Sim, padre. Queremos nos unir o quanto antes, na data mais próxima que tiver. Temos pressa!


PADRE JÚLIO: [Estranha o comentário e continua olhando para os dois].


AÇUCENA: - Não nos olhe assim, padre. Não fizemos nada de errado, nem colocamos a carroça na frente dos bois. Somos um casal direto! [Responde].


PADRE JÚLIO: [Suspira aliviado com a resposta de Açucena] - Ainda bem, minha filha. Então suponho que pela pressa dos dois, seja por conta do grande amor que sentem um pelo o outro e a certeza de que querem viver juntos pelo resto da vida, correto?


PEDRO: - Exatamente, padre. O nosso amor não aguenta mais esperar! [Responde olhando Açucena nos olhos].


PADRE JÚLIO: - Bom, o que vocês acham daqui há seis semanas? Acredito que dá tempo o suficiente para preparar uma cerimônia íntima, para os amigos de verdade. O que acham?


[Os dois respondem ao mesmo tempo.]


PEDRO: - Concordamos!


AÇUCENA: - Concordamos!


PADRE: [Olha para os dois com um largo sorriso nos lábios] - Então está decidido, dentro de seis semanas, casarei os dois. [Conclui].


Cena 05 - Gazeta do Vilarejo [Interna/Manhã]

[Com a transição de cenas, surge a gazeta do vilarejo. No interior da redação, Ricardo orientava alguns funcionários, quando um jornalista de sua confiança se aproximou.]


JORNALISMO: - Ricardo, desculpe-me interromper, mas acontece que vosmecê tem uma visita.


RICARDO: - Visita? Não me lembro de ter marcado nada para esta manhã. [Responde sem entender]. - De quem se trata?


JORNALISTA: [Olha na direção da entrada do jornal, guiando o olhar de Ricardo, que logo compreende tudo].


RICARDO: - Pode deixar, eu resolvo isso. [Respondeu se afastando].


[Ao se aproximar de Laura, Ricardo logo resolveu enfrentá-la.]


RICARDO: - Eu pensei que tivesse sido bem claro da última vez em que nos encontramos. Não quero mais voltar a vê-la, Laura Lobato.


LAURA: [Respira fundo e logo começa a falar] - Eu fui imatura, criada acostumada a ter tudo o que queria aos meus pés. Sempre muito voluntariosa e incentivada a conseguir tudo, mesmo que por meios duvidosos. Mas eu já perdi muito e não estou disposta a continuar perdendo, eu preciso provar que estou disposta a mudar, a recomeçar.


RICARDO: - Ah, é? E eu posso saber como pretende demonstrar essa tal mudança?


LAURA: - Foi exatamente por isso que eu vim acá, para começar a lhe mostrar como estou disposta a fazer tudo que eu posso para reconquistá-lo. [Agarra Ricardo e o beija de surpresa].


[Todos na redação se surpreendem com o beijo e logo passam a olhar os dois.]


Cena 06 - Ruas do Vilarejo [Externa/Tarde]

[Sozinho, Antônio se aproximava da rua onde estava localizada a gazeta do vilarejo quando se deparou com Miguel saindo da banca de jornal.]


ANTÔNIO: - Ah, vosmecê! [Disse sem demonstrar muito entusiasmo].


MIGUEL: - Ora, Miguel. Quem te vê falando assim, até parece que não gostou de me ver. Não sou tão feio assim!


ANTÔNIO: - Acontece que vosmecê é amigo dela… Certamente está a par de todos os seus planos, quem sabe não está acá me vigiando. 


MIGUEL: - Vosmecê está muito enganado, Antônio. Apesar de entender todas as dores e feridas que Ana Catarina carrega, mesmo sendo completamente grato por tudo o que ela me fez, eu jamais a apoiei em seu plano de vingança. Pelo contrário, sempre incentivei que ela desistisse. Apesar de não saber se realmente vosmecê é culpado, apesar de não achar que seja, principalmente agora que tenho lhe conhecido diariamente, durante essa temporada que estamos vivendo acá.


ANTÔNIO: [Surpreende-se com a resposta de Miguel] - Vosmecê, incentivando ela a desistir? Eu sempre afirmei que sou inocente e vou provar isso. Ainda não sei como, mas vou.


MIGUEL: - Eu acredito na sua inocência, só que para prová-la, vosmecê vai ter que tomar o mesmo banho de água fria que Ana Catarina têm tomado nos últimos tempos.


ANTÔNIO: - Não entendi, o que quer dizer?


MIGUEL: - Quem fez o que fez, não deixou rastros e deixou um jeito de eliminar todas as testemunhas do caminho.


ANTÔNIO: - Engana-se, meu caro. Nenhum crime é perfeito, tem que haver uma brecha e será nela que vou adentrar. Pode apostar! [Conclui].


[No interior da banca de jornal, um cliente folheava o jornal demonstrando interesse, na realidade ele fingia para poder ouvir a conversa sem gerar desconfianças.]


VICENTE: [Observa os dois sem ser notado] - Seu pai vai te ajudar, meu filho. [Responde falando consigo mesmo através do pensamento].




Cena 07 - Banco D’ávilla [Interna/Tarde]

Música da cena: Vilarejo - Marisa Monte

[Imagens externas da cidade são apresentadas. Em seguida, surge a fachada do banco. Uma escrava servia uma bandeja de café para Carlota e uma visita a qual ela recebia.]


CARLOTA: [Mexe o café com ajuda de uma pequena colher de prata] - Sempre soube que essa sua ideia de fazer essa moça se passar por doente, não daria certo. Dizem por aí, que vosmecê está em maus lençóis.


GRAÇA: - Eu não ligo para essas maledicências, o povo dessa cidade fala demais e fala sem saber. [Bebe um gole de café].


[A escrava se retira após servir o café.]


CARLOTA: - Eu só não entendi como posso ajudá-la. Se estiver pensando em dinheiro, já lhe aviso que não tenho como adiantar nada, estou em maus lençóis financeiros.


GRAÇA: [Gargalha] - Ora, Carlota. Não precisa fingir, soube que Ana Catarina está lhe deixando pobre de marré, deve estar prestes a penhorar os dentes por um pedaço de pão.


CARLOTA: - Hoje vosmecê tripudia, mas quando precisou de ajuda para desaparecer com seu irmão no passado, logo apareceu como um cão em minha casa.


GRAÇA: - Não se faça de inocente, vosmecê também queria tirá-lo de circulação. Trabalhamos juntas!


CARLOTA: [Bebe um gole de café] - Diga de uma vez como posso ajudá-la, tenho muito o que fazer.


GRAÇA: - Preciso do contato de algum falsificador, um dos bons e de muita confiança.


CARLOTA: [Estranha o pedido] - De que tipo de falsificação estamos falando?


GRAÇA: - Uma carta de propriedade de um escravo. Preciso tirar um negro do meu caminho.


CARLOTA: [Sorri] - Creio que posso lhe ajudar. Vou lhe passar o endereço de um muito bom, fica na cidade de Pelotas. [Responde plena].


Cena 08 - Fazenda Santa Clara [Interna/Tarde]

[Com a transição de cenas, surge a fachada da Fazenda Santa Clara. Maria do Céu foi até a sala quando Amália lhe avisou que a jovem tinha visita.]


MARIA DO CÉU: - O que faz acá? [Pergunta seriamente].


GRAÇA: - Eu vim pedir que reconsidere, minha filha. Tudo o que eu fiz foi para o seu bem, jamais quis lhe magoar. Volte comigo para casa e tudo será diferente.


TOMÁSIA: - Não acredite nessa, mulher. Ela é má, sinhazinha. Há de querer lhe trancafiar de novo no sótão. [Diz ao entrar amparada por Amália].


GRAÇA: [Se enfurece] - Negra maldita. Quer que eu te mande pro tronco, outra vez?


MARIA DO CÉU: - Não, titia. As suas maldades precisam parar e de uma vez por todas. [Grita].


GRAÇA: - Vosmecê está me enfrentando? Saiba que vai se arrepender disso e muito. Logo mais terão de voltar para casa e quando voltarem, verão o que é bom. [Completa a ameaça e vai embora em seguida].


TOMÁSIA: - Vassuncê foi muito corajosa, sinhazinha. Estou muito orgulhosa!


MARIA DO CÉU: [Olha para Tomásia e segura suas mãos] - É o amor, Tomásia. Acho que o amor está me fazendo desabrochar para a vida. [Completa].

Cena 09 - Acampamento Cigano [Externa/Noite]

[Sozinha em sua tenda, Madalena escolhia feijões para preparar no dia seguinte, quando Açucena entrou trazendo consigo, algumas revistas.]


AÇUCENA: - Vovó, trouxe algumas revistas. Precisamos escolher o meu vestido. Tem que ser o mais lindo de todos.


MADALENA: [Ignora a neta, fingindo não escutar].


AÇUCENA: - Vovó, não é possível que continue zangada comigo. Entenda de uma vez por todas. Eu amo o Pedro, somente ele me fará feliz.   


MADALENA: - Por Deus, Açucena. Não consigo entender como está feliz se a maldição está prestes a te atingir.


AÇUCENA: - Vovó, isso não de maldição não existe. Não passa de uma superstição, acredite!


MADALENA: - Vai ver que não, case-se com esse xaborron e verá a mesma maldição cair sob sua cabeça. A mesma maldição que levou sua mãe!

Tradução: Xaborron = menino, rapaz.


AÇUCENA: - Vovó, o que está dizendo? [Surpreende-se].


MADALENA: - Vosmecê irá descobrir, da pior forma. [Conclui ao sair, deixando Açucena sozinha na tenda].


Cena 10 - Casarão D’ávilla [Interna/Noite]

Música da cena: Ecoou Um Canto Forte na Senzala - Roberto Souza

[A área externa da fazenda surge iluminada pelo luar. Idalina logo deixou o interior da casa grande e se aproximou da senzala, adentrando em seguida.]


IDALINA: - A sinhá mandou me chamar? [Questiona ao entrar].


CARLOTA: - Mandei sim. Alguém te viu entrar? 


IDALINA: - Não, sinhá. Eu tomei cuidado! 


CARLOTA: - Ótimo, chegou a hora de darmos um próximo passo no nosso plano contra a parte inimiga.


IDALINA: [Olha para Carlota atentamente].


CARLOTA: - Vosmecê vai se infiltrar na casa de Ana Catarina. Preciso de alguém da minha perfeita confiança para saber o que está acontecendo dentro daquela casa, quero saber de todos os passos dela para destruí-la, assim sempre estarei na frente.


IDALINA: - Mas ela não gosta de mim desde quando era moça, como vou conseguir, sinhá?


CARLOTA: - Pode deixar, eu já pensei em tudo. [Responde sorridente, enquanto começa a contar seu plano para a escrava].


Cena 11 - Fazenda Santa Clara [Interna/Noite]

[Ao entrarem no quarto, Ana Catarina fechou a porta para que ela e Rosaura tivessem mais privacidade.]


ANA CATARINA: - Foi isso, Bá. Agora essa megera está me chantageando, o que devo fazer? [Questiona a babá].


ROSAURA: - Não sei porque vassuncê me pergunta, se já sabe a minha resposta, menina.


ANA CATARINA:  - Não, Bá. Não, não e não. Isso está fora de cogitação. Eu não vou contar a verdade para o Antônio, ele nunca irá saber que é o verdadeiro pai de Mila. Eu jamais vou confessar esse segredo, ele não merece.


ROSAURA: - E a sua filha? Merece ter a vida revirada pelo avesso com uma nova mentira? 


ANA CATARINA: [Olha para Rosaura e fica pensativa].


Cena 12 - Gazeta do Vilarejo [Externa/Manhã]

Música da cena: Acreditar no Seu Amor - Liah Soares

[O dia amanhece e logo as pessoas começam a surgir nas ruas da cidade. Antônio se aproxima do jornal, quando de repente alguém segura seu braço.]


VICENTE: - Eu preciso falar com vosmecê! [Diz ao segurar o braço de Antônio].


ANTÔNIO: [Se desvencilha] - Eu não tenho nada o que falar com vosmecê, me deixe em paz. [Começa a seguir em frente].


VICENTE: - Eu sei que vosmecê quer provar a sua inocência e desconfia de Carlota. Quero te ajudar! [Grita].


ANTÔNIO: [Para de andar e olha para trás].


VICENTE: - Me deixe te provar que quero conquistar um pouco do seu carinho e fazer algo como pai por vosmecê, Antônio. Não me negue isso! [Suplica].


ANTÔNIO: [Encara Vicente].


[A imagem congela focando em Antônio e Vicente parados no meio da rua, surge um efeito de uma pintura envelhecida e o capítulo se encerra].

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