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Passional - Episódio 03

 




PASSIONAL


Capítulo 3


Série criada e escrita por

LUAN MACIEL







CENA 1. BAIRRO DE MARECHAL HERMES. RUA. EXT/ TARDE 

CONTINUAÇÃO IMEDIATA DO CAPÍTULO ANTERIOR. MADALENA FICA PARADA TOTALMENTE PERDIDA EM SEUS PENSAMENTOS. GAEL ESTÁ OLHANDO PARA SUA MÃE COM MUITA DESCONFIANÇA. ELE TOCA EM SEU OMBRO E MADALENA VOLTA PARA A REALIDADE. GAEL FICA ENCARANDO SUA MÃE DE FORMA BEM DIRETA.


GAEL — (intrigado) Eu posso saber o que foi que acabou de acontecer aqui, mãe? Que troca de olhares foi essa entre você e o Petrônio? O meu pai sabe que você está tendo esse comportamento impróprio fora de casa?

MADALENA — Já chega, Gael. Eu sou sua mãe e exijo ser respeitada como tal. O Petrônio é apenas um amigo que está passando por uma situação difícil, e eu estou ajudando ele. Se você ama mesmo a Isabela você deveria fazer o mesmo. (P) Nunca mais desconfie de mim.

GAEL — Não foi isso que pareceu, mãe. Eu sempre me perguntei porque a Marina é daquele jeito que ela é. Mas pelo o que eu posso ver ele teve a quem puxar.

MADALENA — Eu disse que já chega, Gael. Eu não vou ficar aqui parada vendo você me humilhar dessa forma. Eu não devo satisfação da minha vida para você. 


GAEL FICA VISIVELMENTE NERVOSO. MADALENA ESTÁ SÉRIA.


GAEL — Se a senhora reagiu dessa cor a então deve existir alguma coisa. O meu pai não merece isso. Ele é um bom homem. A Marina que é a ovelha negra da família. 

MADALENA — Eu não vou ficar discutindo isso com você, Gael. A nossa família tem conflitos demais para eu ficar me preocupando com essas coisas tão fúteis. Eu só espero que você não pense que sou trairia o seu pai. Eu fico decepcionada em saber que você pensa isso da sua própria mãe. 


MADALENA SAI ANDANDO SÉRIA. CLOSE EM GAEL QUE OLHA PARA SUA MÃE DE UM JEITO COMO SE A JULGASSE.

CORTA PARA/


CENA 2. SEDE DO DOI-CODI. SALA DE TORTURA. INT/ TARDE 

CLIMA DE TENSÃO PRESENTE NA CENA. O OFICIAL DO DOI-CODI VAI TERMINANDO DE AMARRAR ISABELA EM UMA CADEIRA. ATRAVÉS DE SEU OLHAR VEMOS QUE ELA NÃO PERDEU SUA CORAGEM. A PORTA DA SALA DE TORTURA VAI SE ABRINDO E O DELEGADO FLORES ENTRA COM UM SORRISO DIABÓLICO EM SEU ROSTO. OS SEUS OLHOS VÃO AO ENCONTRO DE ISABELA QUE VAI PERDENDO O BRILHO EM SEU OLHAR.


DELEGADO FLORES — (ardiloso) Então finalmente conseguimos pegar uma dessas malditas comunistas. (P) Olha onde suas ações te levaram, garota. Você está no final da linha. Daqui para frente as coisas só vão piorar ainda mais para você. Mas eu posso ainda te oferecer uma saída. Você já sabe o que eu quero. O que você me diz?

ISABELA — Eu conheço muito bem a péssima que os oficiais do Doi-Codi tem. Vocês não passam de assassinos. Nós não estamos fazendo nada de mais. Só queremos ter a nossa liberdade de volta. Isso é tão ruim assim? 

DELEGADO FLORES — Eu não acredito nesse papo furado. Vocês são terroristas que só querem destruir a vida de pessoas que vivem nesse país. Mas isso não vai acontecer. (T) Essa é a sua única chance. Onde estão os seus amigos?

ISABELA — Eu não vou entregar os meus amigos. Você pode me matar, me torturar ou fazer o que quiser comigo, mas eu nunca vou trair quem acredita em mim. 


O DELEGADO FLORES SE APROXIMA DE ISABELA. ELE SEGURA SUA BOCHECHA DE UMA FORMA BEM RÍSPIDA. 


DELEGADO FLORES — Te matar? Isso seria fácil demais. Eu tenho outros planos para você, garota. Você é jovem, bonita e se eu não ne engano acabou de perder sua mãe. Já pensou o que iria acontecer com seu pai se eu tivesse uma conversa a sós com ele? Aposto que ele não seria tão forte como você. O qlue você me diz?

ISABELA — (gritando) Seu desgraçado…. Você não ouse encostar essa sua mão imunda no meu pai. Eu não sei o que eu faria se algo acontecesse com ele. 

DELEGADO FLORES — Então eu acho melhor vó ver colaborar comigo, Isabela. Eu sei tudo ao seu respeito. Eu aposto que você não vai querer ter o mesmo fim.que o seu amigo Xavier. Só você mesma pode se ajudar.

ISABELA FICA SE DEBATENDO NA CADEIRA. O DELEGADO CONTINUA SORRINDO SATISFEITO. ELA VAI PERDENDO A ESPERANÇA AOS POUCOS.


ISABELA — Quantas pessoas inocentes vão ter que morrer para vocês estarem satisfeitos? Essa carnificina precisa ter fim o mais rápido possível. Eu nunca vou me curvar.NNYJ

OFICIAL — Você não está entendendo a gravidade da situação, garota. Aqui é onde até a mais forte, não z,


O OFICIAL SAI DA SALA DE TORTURA. DEPOIS QUE A PORTA É FECHADA O DELEGADO FLORES SEGURA ISABELA PELO PESCOÇO. ELA QUER GRITAR, MAS NÃO CONSEGUE.

CORTA PARA/


CENA 3. RIO DE JANEIRO. STOCK-SHOTS. EXT/ TARDE -NOITE

TAKES DE VÁRIOS PONTOS DA CIDADE EM PLENO ANOS 60 COMO POR EXEMPLO A LAGOA RODRIGO DE FREITAS, A PRAIA DDE COPACABANA, O HOTEL COPACABANA PALACE ENTRE OUTROS PONTOS TURÍSTICOS. EM.UM MOVIMENTO RÁPIDO MOSTRAR A TRANSIÇÃO DO FIM DE TARDE PARA A NOITE. A ÚLTIMA IMAGEM É NO APARTAMENTO DE OLÍVIA, MAS PELA PARTE DE FORA. PODEMOS VER A LUZ DA SAL ACESA. 

FUNDE PARA/



CENA 4. APARTAMENTO DE OLÍVIA. SALA. INT/ NOITE 

A CÂMERA ENTRA PELA JANELA NA SALA E DÁ UM CLOSE EM TIAGO QUE ESTÁ COM OS SEUS PENSAMENTOS EM ISABELA. A PORTA DO QUARTO DE OLÍVIA SE ABRE E ELA SAI ACOMPANHADA DE ALFREDO O QUE DEIXA TISGO TOTALMENTE FORA DE SI. ELE SE LEVANTA DO SOFÁ E ENCARA SUA MÃE QUE FICA DE CABEÇA BAIXA ENVERGONHADA. ALFREDO ENFRENTA TIAGO CINICAMENTE. 



TIAGO — O que esse homem está fazendo aqui, mãe? Eu achei que a gente tinha um acordo. Parece que a senhora não vê como está sendo humilhada por esse homem.

OLÍVIA — Essa não é a melhor hora para discutir, meu filho. Eu só quero que você e o Alfredo possam se entender. Será que eu estou pedindo demais? Faça isso por mim.

ALFREDO — (dissimulado) Ouve o que a sua mãe está falando, rapaz. Você querendo ou não eu vou continuar vindo até aqui. Eu posso até esquecer que você não passa de um comunista miserável. Essa é a minha proposta. 

TIAGO — Isso nunca vai acontecer, mãe. Eu tenho vergonha que a senhora tenha se envolvido com esse homem. Você não respeitou a memória do meu pai. Isso que me entristece. Eu nunca vou respeitar esse calhorda. 


ALFREDO DESFAZ O CINISMO EM SEU ROSTO. ELE OLHA PARA TIAGO FRIAMENTE. OLÍVIA VAI FICANDO BEM TENSA. 


ALFREDO — Em seu lugar eu usaria melhor as palavras, moleque. Você acha mesmo que vai mudar o mundo com esses seus ideais, mas a verdade é que você não passa de alguém que não tem onde cair morto. 

TIAGO — Quem você pensa que é para falar assim comigo? Você não passa de um hipócrita que trai a sua mulher e quer ficar pagando de homem direito. Isso é ser um falso moralista. 

OLÍVIA — (alterando a voz)  Tiago…. Você está indo longe demais, meu filho. (P)  Você precisa aceitar que eu amo o Alfredo. Nada do que você fale vai mudar isso.

TIAGO — E a custo de que, mãe? De sempre ser a segunda opção de um homem que nunca vai te dar o valor que você merece. Você merece mais do que esse lixo de homem. 


ALFREDO SE ENFURECE. ELE PEGA TIAGO PELO COLARINHO DA CAMISA E O OLHA COM ÓDIO. OLÍVIA SE DESESPERA. 


ALFREDO — Eu deveria te dar a surra que você tanto merece. Mas eu não vou perder o meu tempo com alguém tão insignificante como você. (T) Da próxima vez que você falar assim comigo eu não terei tanta paciência. Eu não sou aquele fraco do seu pai que teve que se matar. 

OLÍVIA — É melhor você ir embora, Alfredo. Depois a gente se fala. Mas agora eu preciso conversar com o meu filho. Solta o Tiago. Eu estou lhe pedindo. 


ALFREDO SOLTA TIAGO, E LOGO DEPOIS ELE VAI SAINDO DO APARTAMENTO.  TIAGO OLHA DECEPCIONADO PARA OLÍVIA.


TIAGO — Eu não estou te reconhecendo mais, mãe. Se envolver com um homem casado já não está certo. Mas se envolver com alguém como o Alfredo é pedir para sofrer. (P) Eu vou para o meu quarto. Eu preciso pensar em como encontrar a Isabela. 


TIAGO SAI DA SALA ABORRECIDO. A CÂMERA FOCA NO OLHAR DE OLÍVIA QUE EMANA MUITA TRISTEZA.

CORTA PARA/


CENA 5. CASA DE MADALENA E ALFREDO. QUARTO DE MARINA. INT/ NOITE

A CÂMERA MOSTRA NARIBA TERMINANDO DE ARRUMAR A SUA MALA. TEMPO. MADALENA ENTRA NO QUARTO E O SEU SEMBLANTE É DE MUITA SERIEDADE. NARINA PERCEBE A PRESENÇA DE SUA MÃE ALI. MARINA VAI PEGANDO E PARA A FRENTE DE MADALENA QUE A OLHA SEM DIZER NADA.


MARINA — Se você veio aqui para tentar me fazer desistir então pode esquecer, mãe. Eu não vou ficar no mesmo teto que o meu pai. Ele nunca vai aceitar quem eu sou de verdade. 

MADALENA — Não é para isso que eu estou aqui, minha filha.  Eu preciso que você saiba de uma coisa, mas você tem que me prometer que vai ficar calma. Você entendeu?

MARINA — Você está me deixando preocupada, mãe. O que foi que aconteceu dessa vez? (IMPACIENTE) Deixa eu adivinhar? O meu pai mais uma vez te humilhou? Até quando você vai aceitar essa situação, mãe? 

MADALENA — Eu estou cansada de saber de todos os erros do seu pai, Marina. Mas não é sobre isso que eu vim falar com você.  (P) A Isabela foi levada pelo Doi-Codi. Ninguém tem ideia para onde ela foi levada.


AS PALAVRAS DE MADALENA CAEM COMO UMA BOMBA PARA MARINA. ELA NAO ACREDITA NO QUE ESTÁ OUVINDO.


MARINA — Que espécie de brincadeira é essa, mãe? Até hoje de manhã a Isabela estava com a gente. Isso não pode acontecer. Já não basta a morte do Xavier.

MADALENA — (séria) Você acha mesmo que eu iria brincar com algo tão sério assim, minha filha? Foi o seu irmão que contou para mim e para o Petrônio. Você precisa me prometer que não vai fazer nenhuma besteira.

MARINA — Eu deveria imaginar que o Gael estava envolvido nessa história. Eu não consigo entender porque ele tem essas atitudes? Ele disse que amava a Isabela. Mas agora eu vejo que a única pessoa que ele ama é ele mesmo.

MADALENA — Não fale assim do seu irmão, Marina. Você não estava presente quando ele me contou isso.Eu pude ver nos olhos dele o desespero. Ele não teve nada a ver com essa história. Isso eu posso garantir para você. 


MARINA OLHA PARA SUA MÃE BEM SÉRIA. O OLHAR DE MARINA É DE QUEM ESTÁ CANSADA DAS LUTAS DIÁRIAS. 

MARINA —Eu não acredito no que eu estou ouvindo. Até quando você vai ficar defendendo as irresponsabilidades do Gael, mãe? Está na cara que foi ele que entregou a Isabela para o Doi-Codi. Você precisa encarar a realidade. 

MADALENA — Já chega, Marina. Você parece querer entender que a nossa família está reunindo com essa guerra entre vocês. Tudo o que eu quero é que a gente volte a ser a família que sempre fomos. Só isso que importa.

MARINA — Isso nunca vai acontecer, mãe. O meu pai e o Gael fazem questão de me humilhar a todo momento. E além disso eu nunca vou aceitar que você tenha que ficar se rastejando aos pés de um homem que não te respeita. Você deveria se valorizar mais, mãe.

MADALENA — Você acha que eu também não queria isso, Marina? Mas eu tive que abdicar dos meus sonhos pelo bem da nossa família. É isso que estou tentando fazer. 

MARINA — Pode não parecer, mas eu entendo mãe.  Mas eu não posso deixar de lutar por aquilo que eu acredito ser o certo. Eu sinto muito, mas eu preciso fazer isso. 


MARINA PEGA SUA MALA E SAI PELA PORTA DO QUARTO. CLOSE EM MADALENA FICA SE SENTINDO FRUSTRADA.

CORTA PARA/


CENA 6. CASA DE PETRÔNIO. SALA. INT/ NOITE

O AMBIENTE ESTÁ TOTALMENTE ESCURO. PETRÔNIO VAI ANDANDO LENTAMENTE PELA SALA QUE NÃO ESTÁ ILUMINADA. CLÍMAX. UM ABAJUR É ACESO REVELANDO QUE O DELEGADO FLORES ESTÁ SENTADO EM UMA POLTRONA APONTANDO UMA ARMA PARA PETRÔNIO QUE FICA TOTALMENTE SEM REAÇÃO DIANTE DESSA SITUAÇÃO.


PETRÔNIO — Eu posso saber quem você é, e o que está fazendo em minha casa? E porque aqui está tudo tão revirado? Eu exijo uma explicação agora mesmo. Fale alguma coisa. 

DELEGADO FLORES — (ardiloso) O importante não é quem eu sou e sim quem está sob o meu poder. Eu estou aqui para te oferecer um acordo. Diga onde os comunistas do grupo da sua filha estão que eu liberto ela. É tão simples. 

PETRÔNIO — O que foi que você fez com a minha filha? Onde ela está? Eu quero saber agora mesmo. Se você fizer alguma coisa com a minha filha eu juro que eu te mato.

DELEGADO FLORES — Muito cuidado com as suas palavras. Você não vai ter a chance de cumprir essa ameaça. (P) Você não me respondeu. O que você me diz sobre o meu acordo? Vai aceitar ou vai entregar a sua filha para a morte?


PETRÔNIO SE SENTE IMPOTENTE. ELE TENTA IR NA DIREÇÃO DO DELEGADO FLORES, MAS O VILÃO CONTINUA APONTANDO A ARMA PARA PETRÔNIO. 


DELEGADO FLORES — O que você ainda está pensando? O que eu estou te oferecendo é a chance de rever a sua filha. Se você não fizer isso ela vai apodrecer nos porões do Doi-Codi. A escolha é você quem faz. 

PETRÔNIO — Desgraçado…. O que você fez cona minha filha?

DELEGADO FLORES — O que eu fiz com ela ainda vai ser pouco perto do que eu posso fazer. Mas uma coisa eu posso te garantir. Você tem 48 horas para me dar uma resposta. Enquanto isso, a Isabela vai continuar sobre o meu poder. Será que ela vai tão forte quanto você imagina?

PETRÔNIO — Você não entende. Eu não posso te entregar mais jovens inocentes que com certeza vão ser mortos. Seria muito irresponsável da minha parte. Eu amo a minha filha, mas ela jamais me perdoaria se eu fizesse isso.


O DELEGADO SORRI DO SOFRIMENTO DE PETRÔNIO. ELE SE LEVANTA DA POLTRONA E OLHA FRIAMENTE PARA PETRÔNIO QUE CONTINUA PARADO EM SUA FRENTE.


DELEGADO FLORES — Não me faça rir. Esses jovens podem ser o que for, mas inocentes eles não são. (P) Eu apenas sou uma pessoa que quer tirar das ruas do meu país esses vermes que querem trazer esse lixo de comunismo para cá. Enquanto eu for vivo isso jamais vai acontecer.

PETRÔNIO — Os nossos valores são contraditórios. Para mim lixo é quem mata inocentes que não tem como se defender. Você acha que eu não sei o que já aconteceu nos porões do Doi-Codi? Quantos jovens, jornalistas, cantores ou só pessoas que são contra essa narrativa da ditadura já não morreram por simplesmente defender que o Brasil seja um país com o direito de ser livre para ter sua própria opinião? Eu nunca vou ajudar vocês. 

DELEGADO FLORES — Eu sinto muito que essa seja a sua última palavra. Eu espero que você guarde em sua memória a lembrança de sua filha, pois você nunca vai ver ela. Se alguém souber desse encontro eu mato ela. Ouviu?


O DELEGADO FLORES VAI EMBORA CHEIO DE SI. FOCO NO OLHAR VAZIO E AMEDRONTADO DE PETRÔNIO.

CORTA PARA/


CENA 7. RIO DE JANEIRO. RUA. EXT/ NOITE 

AS RUAS ESTÃO COMPLETAMENTE VAZIAS. O SILÊNCIO QUE PREDOMINA NAS RUAS É ENSURDECEDOR. JANAÍNA VEM ANDANDO SEM DIREÇÃO PENSANDO NA CONVERSA QUE ELA TEVE COM O SEU PAI. ELA NÃO PERCEBE QUE UM GRUPO DE JOVENS IDEALISTAS VEM VINDO NA DIREÇÃO. AO VER O QUE ESTÁ PRESTES A ACONTECER JANAÍNA NÃO CONSEGUE TWR NENHUMA REAÇÃO. RLA ACABA SENDO CERCADA. 


JOVEM 1 — Onde a senhorita pensa que está indo? Essas horas da noite…. As ruas vazias e você perambulando por aí. Esse seu rosto não me é estranho. Onde foi que eu te vi?

JANAÍNA — (disfarçando) Eu não sei do que você está falando. Agora eu preciso ir embora daqui. Me dê licença.

JOVEM 1 — Você não vai a lugar nenhum enquanto eu não descobrir de onde eu te conheço. É melhor você começar a falar. Eu não quero ter que te machucar. 

JOVEM 2 — Eu sei exatamente de onde eu já vi esse rosto. Ela é filha do maldito do Flores. Eu vi o rosto dela estampado em um jornal. Eu tenho certeza absoluta. 

JANAÍNA — Eu juro que eu não sei do que vocês estão falando. Agora me deixem ir embora. Eu estou suplicando. 


O PRIMEIRO JOVEM SEGURA JANAÍNA PELO BRAÇO. ELA COMEÇA A FICAR MUITO APAVORADA. A TENSÃO É EVIDENTE. 


JOVEM 1 — Você não vai a lugar nenhum. Hoje nós ganhamos o maior presente que poderia existir. (P) Sabe quantos amigos, família nós perdemos por causa das atitudes do seu pai? Eu vou dar o troco nele. O que ele vai sentir quando você for torturada e morrer igual todos a quem ele tirou a vida? 

JANAÍNA — Eu não tenho culpa dos erros do meu pai. Eu não posso pagar por algo que eu não fiz. Vocês estão deixando a loucura tomar conta de vocês. 

JOVEM 2 — Loucura? Você sabe como é a dor de ter um familiar levado de sua casa e nunca mais ter notícias dele? O seu pai é um assassino. E nós iremos vingar todas essas mortes. Você vai pagar pelos pecados do seu pai.

JANAÍNA — (gritando) Fiquem longe de mim. Eu estou avisando. Eu juro que se vocês não se afastarem de mim eu vou gritar o máximo que eu puder. 



OS DOIS JOVEENS RIEM DO DESESPERO DE JANAÍNA. SEM PENSAR DUAS VEZES ISABELA COMEÇA A CORRER PELAS RUAS RUQS ESCURAS DA CAPITAL CARIOCA. 


JOVEM 1 — Vamos atrás dela. Ela não pode conseguir fugir. 


JANAÍNA CONTINUA CORRENDO DE FORMA FRENÉTICA PELA RUA. ELA ATRAVESSA A RUA SEM OLHAR E NESSE INSTANTE UM CARRO PARA A POUCOS CENTÍMETROS DE JANAÍNA. DENTRO DO CARRO ESTÁ NONATO QUE FICA ESTÁTICO DIANTE DA SITUAÇÃO. ELE E JANAÍNA SE OLHAM.

CORTA PARA/


CENA 8. APARTAMENTO DE MÔNICA E ALBANO. SALA. INT/ NOITE

PLANO GERAL DA CENA. MÔNICA ESTÁ ANDANDO IRRITADA DE UM LADO PARA O OUTRO. COETA PARA ALBANO TRAZENDO UMA XÍCARA DE CHÁ EM SUAS MÃOS. ELE ENTREGA PARA MÔNICA. SEM PENSAR DUAS VEZES ELA PEGA A XÍCARA DE CHÁ DAS MÃOS DE ALBANO E LANÇA COM MUITO ÓDIO NA PAREDE. ALBANO FICA INCRÉDULO. 



MÔNICA — (furiosa) Eu não preciso de uma xícara de chá, Albano. Eu preciso descontar toda a minha raiva. Quem o meu pensa que é para me humilhar daquela forma? Dizer que vai deixar metade da fortuna para uma bastarda é o fim da picada. Eu estou enojada.

ALBANO — E o que você pretende fazer, Mônica? O seu pai parece estar ciente de tudo o que ele está fazendo. Você não vai conseguir convencer ele de voltar atrás. É melhor você desistir. Você ainda vai ficar com metade da fortuna dele. Isso é muita coisa. 

MÔNICA — Desistir? Parece que você não me conhece, Albano. Eu não sou uma mulher de me contentar com pouco. Eu quero todo o dinheiro do meu pai. E você vai me ajudar a conseguir. É seu dever como meu marido.

ALBANO — E o que você quer que eu faça, Mônica? Que eu obrigue o seu pai a refazer o testamento? O seu pai sabe muito bem o que ele está fazendo. Você tem que aceitar.


MÔNICA SEGURA O ROSTO DE ALBANO COM MUITA RAIVA. OS OLHOS DELA EMANAM MUITO ÓDIO CONTIDO. 


MÔNICA — (séria) Eu nunca vou aceitar isso, Albano. O meu pai acha que pode me passar para trás? Ele está muito enganado. Você vai me ajudar a descobrir quem é essa bastarda. Eu vou farei questão de tirar ela do meu caminho. 

ALBANO — Isso é um erro, Mônica. O melhor é você esquecer essa história. Se o seu pai quis assim então devemos respeitar a vontade dele. Eu não vou fazer o que você está dizendo. Se você quiser faça você mesma. 

MÔNICA — Você já esqueceu que nós estamos praticamente falidos, Albano. Essa fortuna do meu pai vai ser a nossa salvação. Eu não quero ter que me repetir. Você vai me ajudar ou então a boa vida que você sempre teve vai acabar.


MÔNICA SOLTA O ROSTO DE ALBANO. O CLIMA ENTRE ELES VAI FICANDO CADA VEZ MAIS PESADO. ALBANO A OLHA SERIAMENTE. MÔNICA SE MANTÉM EM SUA POSE.


ALBANO — É isso mesmo que você quer, Mônica? Então é isso que você vai ter. Depois não venha me dizer que eu não te avisei. (P) Essa sua ambição precisa ter fim.

MÔNICA — Sabe qual é o seu problema, Albano? Você pensa pequeno demais. Até hoje eu não sei porque eu me casei com você. Deve ter sido por pena. Você sempre foi um homem fraco e sem opinião própria. 

ALBANO — Já chega, Mônica. Eu não sou obrigado ficar aqui ouvindo esses absurdos. Amanhã eu irei descobrir quem é essa outra filha do seu pai. E o que você vai fazer com essa informação não me interessa. Agora eu irei dormir. Eu cansei dessa conversa tóxica. 


ALBANO SAI MUITO CONTRARIADO. ATRAVÉS DA CÂMERA VEMOS O OLHAR DE ÓDIO DE MÔNICA. ELA NÃO ESCONDE A SUA INSATISFAÇÃO. 

CORTA PARA/


CENA 9. CASA DE MADALENA E ALFREDO. QUARTO DO CASAL. INT/ NOITE 

A LUZ DO QUARTO ESTÁ APADA. MADALENA ESTÁ TENTANDO PEGAR NO SONO. A POETA DO QUARTO SE ABRE. ALGUÉM ENTRA NO QUARTO E EM SEGUIDA ACENDE A LUZ. É ALFREDO. ELE VAI CAMINHANDO NA DIREÇÃO DE MADALENA E A PUXA PELO BRAÇO. MADALENA OLHA ASSUSTADA PARA SEU MARIDO. ALFREDO ESTÁ DESCONTROLADO. 


ALFREDO — Nem pense em fingir que está dormindo. Eu sei que você está acordada, Madalena. Já não basta tudo que vem acontecendo e agora você quer me fazer de idiota? 

MADALENA — O que você quer comigo, Alfredo? O meu dia foi muito cansativo e tudo o que eu quero agora é uma noite de sono. Fale de uma vez o que você deseja. 

ALFREDO — O que eu quero, Madalena? Você sabe muito bem o que eu quero. Hoje eu irei te usar da forma que eu bem desejar. E não adianta você querer negar. 

MADALENA — E você acha que eu voud deixar isso acontecer, Alfredo? Depois de tudo o que você fez ainda vem querer ter intimidade comigo? Você pode se esquecer disso. Hoje não vai acontecer absolutamente nada. 


ALFREDO FICA FURIOSO. ELE DÁ UM TAPA NA CARA DE MADALENA QUE LEVA A MÃO AO ROSTO. ALFREDO A ENCARA FRIAMENTE. 


MADALENA — (nervosa) Que espécie de monstro você é, Alfredo? Você não é nada parecido com o homem com quem eu me casei. Você conseguiu destruir a nossa família. Veja só o que aconteceu. Cada um indo para um lado. 

ALFREDO — Você quer mesmo encontrar um culpado, Madalena? Foi sempre foi uma mãe que passa a mão na cabeça em tudo o que os nossos filhos fazem. A Marina precisa de uma correção enquanto é tempo. Olha só o tipinho de gente que ela se transformou. A culpa é sua. 

MADALENA — Eu não me arrependo de querer o melhor para os meus filhos. Mas de uma coisa a Marina está certa. O nosso casamento acabou faz muito tempo. Hoje eu vivo presa em um relacionamento com um homem que não me dá nenhum valor. Eu estou sufocada. 

ALFREDO — Chega dessa conversa fiada. Eu vou te usar e você não vai reagir. Está me ouvindo? Esse é o seu papel como esposa. Eu não vou falar duas vezes. 


DE UMA FORMA VIOLENTA ALFREDO RASGA A ROUPA ÍNTIMA DE MADALENA. ELA TENTA SE DEFENDER, MAS ALFREDO É MUITO MAIS FORTE. 


MADALENA — (gritando) Me solta….. Eu não quero isso, Alfredo. Por favor…. Eu estou te suplicando. Para com isso. 

ALFREDO — Pode gritar a vontade, Madalena. Ninguém vai te ouvir mesmo. Hoje você vai ser minha, custe o que custar. Aqui a minha vontade é superior a qualquer coisa. 

MADALENA — Alfredo….. Por favor, para. Eu não quero isso. 



ALFREDO CONTINUA TRATANDO MADALENA DE UNA FORNA COVARDE E ASQUEROSA. ELE DEIXA MADALENA NUA E ABUSA DELA SEM SEU CONSENTIMENTO. 

TRILHA SONORA: 

A CÂMERA VAI SE AFASTANDO APENAS PODEMOS OUVIR O CHORAMINGO DE MADALENA.

CORTA PARA/


CENA 10. RIO DE JANEIRO. RUA/ CARRO. EXT/ NOITE 

JANAÍNA E NONATO CONTINUAM SE OLHANDO. OS JOVENS CONTRA A REPRESSÃO VEM PERSEGUINDO JANAÍNA. SEM PENSAR DUAS VEZES JANAÍNA CONSEGUE ENTRAR DENTRO DO CARRO DE NONATO QUE FICA CONFUSO. OS JOVEVNS CERCAM O CARRO E ELES ESTÃO MUITO AGITADOS. 



JANAÍNA — (suplicando) Por favor, me ajude…. Eles estão querendo me matar. Eu estou te suplicando. Me tira daqui o mais rápido possível. Só isso que eu te peço.



UM DOS JOVENS PEGA UMA PEDRA E QUEBRA O VIDRO TRASEIRO DO CARRO DE NONATO.  JANAÍNA VAI FICANDO APAVORADA. NONATO OLHA OS JOVENS BEM SÉRIO.


JOVEM 1 — É melhor você sair de dentro desse carro. Não me obrigue a tonar uma atitude mais grave. Você ouviu?

JOVEM 2 — Chega de conversa. Vamos acabar com ela agora. 

NONATO — Coloca o cinto, moça. Eu não vou permitir que esses selvagens façam nenhum mal para você. Nós vamos sair daqui. Isso eu prometo para você. 


JANAÍNA SE AJEITA E COLOCA O CINTO. NONATO ACELERA E SAI DALI O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL. OS JOVENS FICAM IRRITADOS PIR JANAÍNA TER FUGIDO. A CÂMERA MOSTRA O CARRO DE NONATO SUMINDO NO MEIO DA ESCURIDÃO.

CORTA PARA/


CENA 11. SEDE DO DOI-CODI. SALA DE TORTURA. INT/ NOITE 

CLOSE EM ISABELA QUE ESTÁ DEITADA EM UMA CAMA E ELA ESTÁ TOTALMENTE AMARRADA. ELA TENTA SE SOLTAR, MAS SEJ SUCESSO. A PORTA VAI SE ABRINDO E VEMOS O DELEGADO FLORES CAMINHANDO ATÉ ONDE ISABELA ESTÁ. A RAIVA E O DESPREZO PODEM SER VISTOS NO OLHAR DE ISABELA. 


DELEGADO FLORES — (sarcástico)  Como está a minha visitante preferida? Então você já está decidida a colocar comigo, Isabela? Cada minuto que você passa aqui é mais sofrimento que irá sofrer. Para que isso? Por causa de um ideal distorcido? Isso não vale a pena. 

ISABELA — Para você pode até ser, mas eu acredito no que eu estou fazendo. Eu quero que a próxima geração tenha o direito de escolher o próprio destino. É apenas isso.hpiiu 

DELEGADO FLORES — Sabe o que eu acho? Que você foi abandonada pelas pessoas que você ama. Eu vim fazer uma visita para o seu pai. Ele não quis entregar os seus amigos comunistas. Se ele te amasse de verdade ele faria de tudo para te tirar desse lugar.

ISABELA — Ouvir isso me deixa feliz. Me alegra em saber que o meu pai respeitou a minha vontade. Você nunca vai colocar as suas mãos nos meus amigos. Não vai mesmo. 


O DELEGADO FLORES FICA POSSESSO DE RAIVA. ISABELA ESBOÇA UM SORRISO. EM UM ATO ORQUESTRADO O DELEGADO FLORES DÁ UMA FACA NA COSTELA DE ISABELA QUE COMEÇA A SANGRAR IMEDIATAMENTE. 


DELEGADO FLORES — Você acha mesmo que eu estou brincando, garota? Para defender o meu país de gente como você eu sou capaz de tudo. Até mesmo matar.

ISABELA — (com muita dor) O que foi que você fez, seu maldito? Está doendo demais. Porque você está fazendo isso? Por favor para com isso. 

DELEGADO FLORES — Eu te dei a chance de você me ajudar, Isabela. Mas a perir de agora você vai conhecer o que realmente é o inferno. E aqui eu sou o Diabo. 

ISABELA — Você precisa me levar até um hospital. Eu não quero ter que morrer aqui nesse lugar. Você me deve isso. 


O DELEGADO FLORES SORRI MALICIOSAMENTE. ISABELA VAI FICANDO CADA VEZ MAIS ANGUSTIADA. O VILÃO APENAS FICA PARADO VENDO O SOFRIMENTO DE ISABELA.


DELEGADO FLORES — Eu não vou levar você a lugar nenhum. E além disso eu não te devo absolutamente nada. (P) Se te consola saber eu jamais deixaria você sair daqui com vida. Você só vai sair daqui dentro de um caixão.

ISABELA — (perdendo as forças) Seu desgraçado…. Eu juro que eu vou ainda vou fugir daqui. Eu prometo. 


ISABELA DESMAIA DE FRAQUEZA GRAÇAS A FACADA QUE ELA LEVOU. O DELEGADO FLORES SE APROXIMA E ACARICIA O ROSTO DE ISABELA E A OLHA DE UM JEITO DIFERENTE.

CORTA PARA/


CENA 12. PENSÃO DE CLEONICE. ENTRADA. CARRO. EXT/ NOITE 

UM CARRO VEM PARANDO EM FRENTE A ENTRADA DA PENSÃO DE CLEONICE. CORTE PARA DENTRO DO CARRO. NONATO DESLIGA O CARRO. A CÂMERA AGORA FOCA NO OMHAR DE JANAÍNA QUE AINDA ESTÁ APAVORADA. NONATO TENTA ACALMAR ELA. JANAÍNA CONTINUA DESCONFIADA. 


NONATO — O seu pesadelo finalmente chegou ao fim. Você não precisa se preocupar mais. Você quer que eu te leve a sua casa? Já está ficando tarde. Não é bom que uma jovem que nem você fique na rua até essas horas. 

JANAÍNA — Eu agradeço muito a sua ajuda, mas eu não tenho para onde ir. Aqueles jovens estavam querendo me matar por causa do que o meu pai vem fazendo desde que estourou essas ditadura. Eu não sei o que fazer.

NONATO — Espera um pouco. Até agora você não me disse o seu nome. E outra coisa. Você me deixou curioso. Porque aqueles jovens querian te fazer por causa do seu pai?

ISABELA — Eu já posso imaginar como você irá reagir, mas eu sempre irei preferir a verdade. (P)Meu nome é Janaína Flores. O Delegado Flores, que é o chefe de dessas torturas, infelizmente é o meu pai.


NONATO FICA CHOCADO COM A REVELAÇÃO DE JANAÍNA. EM SILÊNCIO CONSTRANGEDOR ELR OLHA PARA JANAÍNA.


NONATO — Eu só tenho uma coisa para te falar, Janaína. Eu tinha um sobrinho que foi morto pelos oficiais do Doi-Codi que recebem ordens do seu pai. Mas eu jamais iria te culpar por essa tragédia. Você não tem culpa nenhuma. A gente não escolhe o que acontece ao nosso redor. Pode ficar tranquila. E aliás eu me chamo, Nonato.

JANAÍNA — (respirando fundo) Você não sabe o quão é bom essas palavras, Nonato. Eu jamais seria conivente com essas atrocidades que o meu pai vem fazendo. E por isso ele me expulsou de casa. Agora você consegue me entender. 

NONATO — É claro que eu te entendo, Janaína. Aqui onde estamos parados é a pensão da minha irmã. Se você quiser eu sei que a Cleonice vai te ajudar. Ela pode ser um pouco ranzinza, mas é uma boa pessoa. 

JANAÍNA — Eu não sei, Nonato. Eu sou a filha do homem que matou o filho dela. Eu nem consigo imaginar a mágoa que a sua irmã deve ter guardada. Eu acho que isso pode não ser uma boa idéia. Acredite em mim.


NONATO DÁ UM TAPINHA NAS MÃOS DE JANAÍNA. ELE VAI TRANQUILIZANDO JANAÍNA CADA VEZ MAIS. 


NONATO — Não precisa se preocupar, Janaína.. Você não tem culpa de ser filha de quem é. Agora venha comigo. Você precisa ter uma boa noite de sono. E descansar. 

JANAÍNA — Eu não sei como te agradecer, Nonato. Você está sendo tão bom comigo e nem me conhece. Obrigada. 


NONATO SORRI. ELES SAEM DE DENTRO DO CARRO. CORTE PARA O LADO DE FORA DO CARRO. JANAÍNA OLHA POR ALGUNS SEGUNDOS PARA A PENSÃO E RESPIRA FUNDO. NONATO ACONPANHA ELA PARA DENTRO DA PENSÃO.

CORTA PARA/


CENA 13. RIO DE JANEIRO. AMANHECER. EXT/ MANHà

O SOL NASCE NO HORIZONTE. A CÂMERA MOSTRA VÁRIAS IMAGENS DO AMANHECER NA CIDADE MARAVILHOSA. ESSA É UMA CENA DE TRANSIÇÃO E DEVE SER BEM RÁPIDA..

TRILHA SONORA: https://youtu.be/a6HgNG8Llvc?si=U1yCdkW4rFgVw3hv 

VÁRIAS IMAGENS DO AMANHECER VÃO SE INTERCALANDO ENTRE SI. A ÚLTIMA IMAGEM É NA FACHADA DA CASA DE MADALENA E ALFREDO. A MÚSICA DA CENA VAI FICANDO SUAVE A CADA SEGUNDO QIE SE PASSA.

FUNDE PARA/


CENA 14. CASA DE MADALENA E ALFREDO. QUARTO DO CASAL. INT/ MANHà

A LUZ DO SOL VEM ADENTRANDO PELA FRESTA DA JANELA DO QUARTO. MADALENA ESTÁ SENTADA NA CAMA E O SEU OLHAR É DE QUEM NÃO DORMIU. ELA VAI REVIVENDO O TRAUMA DA NOITE ANTERIOR. ALFREDO ACORDA E MADALENA O OLHA COM MUITO DESPREZO. ALFREDO TEBTA BEIJAR SUA ESPOSA, MAS MADALENA SE RECUSA.



ALFREDO — O que vou que houve com você, Madalena? Parece que você não dormiu nenhum pouco. Já eu tive uma ótima noite de sono. Você deveria estar do mesmo jeito. 

MADALENA — Como você tem coragem de me fazer essa pergunta, Alfredo? O que você fez comigo ontem foi inadmissível. Eu disse que eu não queria. Você deveria ter respeitado a minha vontade. 

ALFREDO — Até parece que você não me conhece, Madalena. Eu não sou obrigado a pedir sua permissão para nada. Aqui eu faço o que eu quiser. Você entendeu?

MADALENA — (desabafando) Eu estou cansada, Alfredo. Eu não aguento todas essas humilhações que você me faz passar. Eu quero o desquite. Eu quero ser livre.


O ÓDIO TOMA CONTA DE ALFREDO. ELE SEGURA MADALENA PELO PESCOÇO COM MUITO ÓDIO. ELA FICA SEM AR.

ALFREDO — Você acha que eu vou permitir que você me faça passar por essa vergonha, Madalena? Você querendo ou não eu sou seu marido. Você me pertence. 


ALFREDO SOLTA O PESCOÇO DE MADALENA. ELA CONSEGUE RESPIRAR ALIVIADA. ALFREDO SE LEVANTA DA CAMA .


MADALENA — Eu não sei onde eu estava com a cabeça quando eu me casei com você, Alfredo. Se tem algo que o nosso casamento trouxe foi os nosso filho. Apenas isso.

ALFREDO — Eu não quero mais saber dessa conversa, mulher. Você sempre foi uma decepção para mim, Madalena. O que eu não encontro em casa eu sou obrigado a buscar na rua. Você é patética, Madalena. 

MADALENA — Você acha que eu não sei que você me trai, Alfredo. Eu aceitei essa humilhação pelo bem da nossa família. Mas parece que nem com isso você se importa. 


MADALENA TAMBÉM AE LEVANTA DA CAMA ENROLADAppUM bjCOBERTOR. ALFREDO VAI NA DIREÇÃO DA PORTA E DEPOIS LANÇA UM OLHAR DE ÓDIO PARA SUA ESPOSA. 


ALFREDO — (ardiloso) Agora sim a minha vida vai dar uma guinada. Finalmente eu consegui me livrar daquela comunista que você chama de filha. Isso é maravilhoso. 

MADALENA — Sai da minha frente, Alfredo. Eu juro que eu nem sei o que eu faço com você. Eu tenho nojo de você. 


ALFREDO SAI DO QUARTO SORRINDO. AS LÁGRIMAS ESCORREM PELO ROSTO DE MADALENA. ELE FICA ABALADA.

CORTA PARA/


CENA 15. PENSÃO DE CLEONICE. QUARTO DE HÓSPEDES. INT/  MANHà

A CÂMERA FOCA EM MARINA QUE ESTÁ PARADA NA FRENTE DE UM ESPELHO TERMINANDO DE SE ARRUMAR. (O LOOK DE MARINA É TÍPICO DOS ANOS 60). A PORTA DO QUARTO SE AVRE E CLEONICE FICA PARADA NA PORTA OLHANDO PARA MARINA. A JOVEM TERMINA DE SE ARRUMAR E ELA OLHA PARA CLEONICE. 


CLEONICE — Você tem certeza do que você quer, Marina? O caminho que você está tomando não tem volta. Você e o Gael são irmãos. Eu sei que se vocês se sentarem para conversar vocês irão se entender..

MARINA — Você está igual a minha mãe, Cleonice. Eu e o Gael somos lados opostos da mesma moeda. Ele é água e eu sou óleo. Foi por culpa dele que a Isabela foi capturada pelos oficiais do Doi-Codi. Só Deus sabe o que deve ter acontecido com a minha amiga. 

CLEONICE — Eu realmente gosto de você, Marina. Você é a filha que eu nunca tive. É por isso que eu me preocupo com você. Eu já perdi um filho e não quero perder de novo. 

MARINA — Tem uma coisa que não sai da minha cabeça, Cleonice. Como os oficiais do Doi-Codi descobriram onde a Isabela estava? Isso não faz sentido. Eu desconfio que haja um traidor entre nós. 

CLEONICE FICA EM SILÊNCIO. MARINA ESTÁ CIENTE DO QUE ELA ESTÁ FALANDO. CLEONICE SE APROXIMA DE MARINA. 


CLEONICE — Você tem certeza do que você está falando, Marina? Essa sua acusação é muito grave. Se isso for verdade todos nós estamos correndo perigo. Nós precisamos descobrir se tem alguma verdade nessa sua desconfiança. 

MARINA — Não é preciso pensar muito, Cleonice. Eu sei muito bem quem teria motivos suficientes para fazer uma coisa desprezível desse jeito. Eu tenho certeza absoluta.

CLEONICE — De quem você está falando, Marina? Do Gael? Eu sei que você e ele tem muitas diferenças, mas eu não consigo acreditar que o Gael faria nada para prejudicar a Isabela. O Gael ama ela. Isso você não pode negar. 

MARINA — Eu não tenho tanta certeza assim, Cleonice. O Gael sempre foi um pessoa muito difícil de se lidar. Você é testemunha da ameaça que ele me fez aqui na sua pensão. Oeu irmão não tem nenhum escrúpulos. 


MARINA TERMINA DE SE ARRUMAR. CLEONICE FICA PENSATIVA. MARINA FECHA A PORTA DO QUARTO. ELA ESTÁ SÉRIA. 


MARINA — Eu vou até o clube dos marinheiros, Cleonice. Eu quero não conte para mim onde eu estou indo. Nem mesmo para o seu filho. É só isso que eu te peço. 

CLEONICE — Toma cuidado, Marina. Se tudo o que você me contou for verdade nós não sabemos do que o Gael é capaz de fazer. Eu sempre vou querer o seu bem. 

MARINA — Não precisa se preocupar comigo, Cleonice. Eu sei me cuidar muito bem. O Gael vai ouvir algumas verdades. Ele não vai escapar dessa responsabilidade.


MARINA VOLTA A ABRIR A PORTA DO QUARTO. ELA SAI DETERMINADA. A CÂMERA MOSTRA A PREOCUPAÇÃO DE CLEONICE. 

CORTA PARA/


CENA 16. RUA. CARRO. EXT/ MANHà

EM PLANO ABERTO VEMOS ALFREDO ANDAR PELA RUA BEM CISMADO. ELE FICA OLHANDO PARA TODOS OS LADOS COMO SE ESTIVESSE PREOCUPADO COM ALGO OU ALGUÉM. EM QUESTÃO DE 2 MINUTOS UM CARRO PRETO PARA BEM EK SUA FRENTE. A JANELA DO CARRO VAI ABAIXANDO LENTAMENTE E REVELANDO QUE O MOTORISTA DO CARRO É O DELEGADO FLORES. TEMPO. ALFREDO ENTRA NO CARRO. CORTE PARA DENTRO DO CARRO.


DELEGADO FLORES — Eu posso saber o porquê de você ter mandado um recado me chamando até aqui? Você está cansado de saber que nós não podemos ser vistos juntos. Diga logo o que você deseja, Alfredo.

ALFREDO — Eu preciso de mais dinheiro, Flores. Aquela quantia que você me deu não deu para quase nada. Eu sei muito bem que você tem de onde tirar. Não esqueça que você está nas minhas mãos. 

DELEGADO FLORES — Você só pode ter ficado louco, Alfredo. Eu não vou te dar absolutamente nada. Nós tínhamos um acordo. Eu te pago uma boa quantia e você entrega a sua filha para Doi-Codi. Mas você não cumpriu o combinado do acordo. 

ALFREDO — Eu não tive culpa que a filha do Petrônio estava no lugar errado. (P) Se você não me der o que eu quero eu faço questão de espalhar para todo mundo o que acontece nos porões do Doi-Codi. 


O DELEGADO FLORES VAI SE ENDURECENDO. ALFREDO NÃO DEMONSTRA MEDO DIANTE DA FIGURA DO DELEGADO FLORES. 


DELEGADO FLORES — Você acha que pode ameaçar uma autoridade, Alfredo? Eu deveria acabar com você agora mesmo. Mas eu não vou fazer isso. O acordo que nós tínhamos acabou por aqui. Entendeu?

ALFREDO — Você tem uma filha não é mesmo, Flores? Seria tão ruim se algo acontecesse com ela. Mas aí está na sua responsabilidade. O que você me diz? 

DELEGADO FLORES — Você perdeu a noção do perigo, Alfredo. Por muito menos eu já matei esses jovens baderneiros. Essa vai ser a última vez que eu te darei dinheiro. E nunca mais ouse ameaçar a minha filha.


ALFREDO SORRI SATISFEITO. O DELEGADO FLORES ABRE O PORTA LUVAS DO CARRO E TIRA UM MAÇO DE DINHEIRO E ENTREGA PARA ALFREDO QUE FICA ENTUSIASMADO. 


DELEGADO FLORES — Eu espero que essa quantia seja mais que o suficiente, Alfredo. E a partir de agora finja que não me conhece. Se isso voltar a se repetir eu te mato. 

ALFREDO — Não precisa se preocupar com isso, Flores. Eu não pretendo voltar a te ver novamente. Com esse dinheiro que você me deu eu poderei ter a vida que eu sempre mereci. Até nunca mais , meu odioso amigo. 


ALFREDO ABRE A PORTA DO QUARTO E SAI. O DELEGADO FLORES BATE NO VOLANTE DO CARRO COM MUITO ÓDIO.

CORTA PARA/


CENA 17. CLUBE DOS MARINHEIROS. PÁTIO. EXT/ MANHà

A CÂMERA SOBREVOA O PÁTIO DO CLUBE ONDE DIVERSOS MARINHEIROS ESTÃO FAZENDO EXERCÍCIOS FÍSICOS. O FOCO DA CENA ESTÁ EM GAEL AUE ESTÁ TOTALMENTE PERDIDO EN SEUS PENSAMENTOS. A CÂMERA GIRA E VEMOS MARINA IBDO NA DIREÇÃO DE SEU IRMÃO E SEM DIZER NADA MARIBA LHE DA UM TAPA NA CARA. GAEK FICA SEM REAÇÃO.


MARINA — (nervosa) Isso é pouco perto do que você merece, Gael. Por sua culpa a Isabela está presa nos porões do Doi-Codi. O que você tem na cabeça?

GAEL — Eu sei que você me culpa, Marina. Mas eu não tive culpa. Eu não sabia que Queles oficiais do Doi-Codi iriam aparecer. Eu jamais faria isso com a Isabela. 

MARINA — Eu não consigo acreditar em nada do que você fala, Gael. Você diz que ama a Isabela e depois isso acontece. Está lembrado da ameaça que você me fez? Quem me garante que você não fez a mesma coisa com a Isabela?

OFICIAL DA MARINHA — É melhor você ir embora, senhorita. Todos aqui sabem muito bem quem é você. Eu não vou pedir uma segunda vez. Vá embora agora.


MARINA OLHA PARA O OFICIYDA MARINHA COM CORAGEM EM SEU OLHAR. GAEL PEGA MARINA PELO BRAÇO E TENTA LEVAR SUA IRMÃ ATÉ A SAÍDA, MAS SEM SUCESSO.


GAEL — Você ouviu muito bem o que o oficial disse, Marina. Vai ser para todo mundo se você ir embora. Eu te peço. 

MARINA — (sarcástica) O que foi que deu em você, Gael? Não vai me dizer que você está com medo desse engravatado? Eu esperava muito mais de você.

GAEL — Já chega, Marina. Você não sabe do que está falando. Eu estou falando para o seu próprio bem. Nós temos muitas diferenças, mas você ainda é a minha irmã. Vai embora agora. Eu estou te pedindo. 

OFICIAL DA MARINHA — É melhor você ouvir o que o seu irmão está falando. Você está me obrigando a fazer algo que eu não quero. Mas eu não tenho escolha.


O OFICIAL DA MARINHA FAZ UM SINAL E DOIS CADETES SEGURAM MARINA PELO BRAÇO COM FORÇA. ELA E GAEL FICA SE ENCARANDO EM UM SILÊNCIO QUE INCOMODA.


MARINA — Me soltem seus trogloditas. Vocês não podem fazer isso comigo. Eu tenho o meu direito de ir e vir. (P) Eu só quero saber onde a minha está. O que tem de tão errado nisso? 

GAEL — Eu tentei te avisar que isso poderia acontecer, Marina. Você pode o que quiser de mim. Mas eu jamais faria nada para machucar a Isabela. Eu amo ela demais. 

OFICIAL DA MARINHA — Eu já me cansei disso. Tirem essa comunista da minha frente. (P) E quanto a você, Gael. Eu espero que isso nunca mais se repita. Porque se isso voltar a acontecer a sua carreira na marinha está em perigo..

GAEL — Eu dou a minha palavra que isso nunca mais acontecer, Comandante. Você pode acreditar em mim.


OS CADETES TIRAM MARINA QUE VAI GRITANDO ENQUANTO É LEVADA PARA FORA DO CLUBE DOS MARINHEIROS. DE LONGE GAEL APENAS OLHA PARA SUA IRMÃ QUE O OBSERVA.

CORTA PARA/


CENA 18. CASA DE PETRÔNIO E ISABELA. SALA. INT/ MANHà

A CÂMERA MOSTRA EM UM PLANO MAIS FECHADO QUE PETRÔNIO ACABOU ADORMECENDO NO SOFÁ DA SALA ABRAÇADO COM UMA FOTO DE ISABELA. ALGUÉM BATW NA PORTA. PETRÔNIO ABRE OS OLHOS E EN SEGUIDA SE LEVANTA. ELE ABRE A PORTA E ELE FICA FRENTE A FRENTE COM MADALENA QUE FICA EM CHOQUE AO VER O ESTADO QUE A CASA SE ENCONTRA. 


MADALENA — (surpresa) O que foi que aconteceu aqui, Petrônio? Está tudo revirado. O que foi que houve? Eu te conheço muito bem. Foi algo com a Isabela? 


MADALENA ENTRA PARA DENTRO DA CASA DE PETRÔNIO E FECHA A PORTA. ELES SE SENTAM NO SOFÁ. CLINA DE TRISTEZA REINA NA CENA.


PETRÔNIO — Eu conheci a pessoa que está por trás de todas essas torturas a mando do governo, Madalena. É ele que está mantendo a minha filha presa nos porões do Doi-Codi. Ele me fez uma proposta, mas eu não posso aceitar. 

MADALENA — Do que você está falando, Petrônio? Se isso pode trazer a sua filha de volta para casa então porque não fazer? Nada vale mais que o bem de nossos filhos.

PETRÔNIO — Eu não posso fazer isso, Madalena. O que o maldito do Flores está me pedindo é entregar a sua filha, o Paco o Tiago. Absolutamente todos. Eu não posso fazer isso..


MADALENA FICA SEM PALAVRAS. ELA TOCA SUAVEMENTE AS MÃOS DE PETRÔNIO. OS OLHOS DELES SE CRUZAM. 


MADALENA — Você é um bom homem, Petrônio. Outra pessoa não teria essa sensibilidade. Eu não sei como a Isabela. Aí sair daquele inferno, mas eu tenho certeza que ela vai superar tudo isso. Ela é uma menina bem forte.

PETRÔNIO — (agradecido) Eu nem sei como te agradecer, Madalena. Eu não sei o que seria de mim sem o seu apoio. Eu sei que você disse que o seu casamento e os seus filhos são mais importantes, mas eu não consigo negar o que eu sinto por você.

MADALENA — Que casamento é esse? Onde o homem me humilha, me bate e renega a própria filha. O meu casamento com o Alfredo acabou já faz tempo. Só eu não queria ver o óbvio.

PETRÔNIO — Você não merece passar por isso, Madalena. O Alfredo não te merece. Os meus sentimentos por você sempre foram sinceros. Eu não posso mais negar tudo o que sinto por você.


MADALENA FICA SEM PALAVRAS. PETRÔNIO A OLHA DIRETAMENTE EM SEUS OLHOS. A MÚSICA TEMA DO CASAL VAI SUBINDO E O CLIMA ENNTRE ELES É INEVITÁVEL. 

TRILHA SONORA: https://youtu.be/a3LNqdD7_lw?si=fmNRv7mE8zovBj_y 


MADALENA — Eu também não posso negar que você mexeu demais comigo, Petrônio. Eu não sei como vai ser daqui para frente, mas eu quero estar com você. Sempre!!


OS OLHOS DE MADALENA E PETRÔNIO SE ENCONTRAM. ELES VÃO SE APROXIMANDO CADA VEZ MAIS. AINDA COM A MÚSICA TOCANDO MADALENA E PETRÔNIO SE BEIJAM SE RENDENDO AO AMOR. 


A IMAGEM CONGELA NO BEIJO APAIXONADO DE MADALENA E PETRÔNIO. AOS POUCOS A IMAGEM VAI GANHANDO UM TOM EM PRETO E BRANCO.












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